| |
Foto: Divulgação
|
|
|
|
Em 2002, o jornalista Antônio de Pádua Gurgel lançou o livro "A Rebelião dos Estudantes" contando a história de um dos mais intensos movimentos de combate à ditadura militar do País, o movimento estudantil de Brasília, com ênfase no ano de 1968. Nesta sexta-feira (17) serão iniciadas as filmagens do documentário homônimo baseado na obra de Gurgel.
A obra relata detalhes das organizações estudantis em protesto ao governo militar na recém-criada capital federal entre os anos de 1962 e 1972, com destaque em 1968, o ano que marcou o endurecimento do regime militar. O autor mergulhou em depoimentos de companheiros da Universidade de Brasília (UnB), arquivos de jornais, documentos oficiais e também recorreu a sua própria vivencia nas manifestações.
O longa-metragem "A Rebelião dos Estudantes" vai focalizar principalmente as manifestações estudantis em resposta ao golpe militar de 1964, localizando-as no contexto histórico, político, social, econômico e cultural do Brasil e do mundo nas décadas de 1960 e 1970.
A obra de Gurgel vai ser apenas uma base e não um roteiro a ser seguido pelo documentário. "É uma adaptação livre. Grande parte das pessoas citadas no livro será ouvida. Mais de quarenta pessoas serão entrevistadas, e, dependendo das declarações, pode mudar completamente o rumo da produção. As imagens que forem conseguidas em arquivos também vão ser determinantes", explica Gurgel.
No filme, serão registrados episódios ligados à construção da nova capital da República; à criação da UnB, em 1962; passeatas e outras manifestações estudantis; o massacre que resultou da visita do embaixador americano à UnB em 1967; à morte do estudante Edson Luis de Lima Souto no Rio de Janeiro; à ocupação de colégios por secundaristas; às invasões da UnB pela polícia; à prisão de um policial por alunos da UnB; o acampamento que os estudantes realizaram dentro do Congresso Nacional.
"A idéia é falar desse espírito de aventura aguerrido da juventude através de um painel, começando na posse do Presidente Lula, nessa década, indo para os anos 90 com os caras pintadas, e depois anos 80, com as diretas já até chegar nos anos 60, quando importantes mudanças comportamentais, culturais e políticas movimentaram o mundo. Concentraremos em depoimentos de estudantes e professores da UnB da época, alguns anônimos e outros que se tornaram figuras importantes no cenário político e cultural do país", diz a diretora do filme, Alvarina Souza Silva.
| |
Foto: Divulgação
|
|
|
|
Entre as personalidades que estiveram de alguma forma envolvidas nos fatos e que participarão do filme com depoimentos e relatos estão Oscar Niemeyer, um dos grandes defensores da criação da UnB; Franklin Martins, autor do prefácio do livro e na época presidente da União Metropolitana dos Estudantes; Marcio Moreira Alves, deputado federal que, em protesto contra a invasão da UnB, pronunciou o discurso usado como pretexto para a decretação do Ato Institucional nº 5, que fechou politicamente o Brasil; o artista plástico Athos Bulcão, na época professor da UnB; o conferencista Waldez Ludwig, na época aluno do Centro Integrado de Ensino Médio (Ciem); a escritora Ana Miranda, que na época morava em Brasília.
O filme vai exibir imagens, fotos e reproduções de jornais e documentos da época. A pesquisa inclui consulta aos arquivos do Centro de Documentação da UnB, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, outros arquivos oficiais e arquivos particulares, assim como a coleção de jornais como o Correio Braziliense, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e outros veículos de comunicação.
"Rodaremos no período de 17 de fevereiro a 14 de março no Rio, São Paulo e Brasília. Estamos contando também com a sorte de encontrar um material de arquivo fabuloso e inédito", conta Alvarina.
Produção
Entre os interesses do projeto, está permitir que amplas camadas da população em geral e da juventude em particular tenham acesso a informações históricas que ajudam a compreender a atualidade.
O documentário terá 71 minutos e será montado com falas rápidas, para ganhar em agilidade e movimento, tendo formato para exibição no circuito comercial, em emissoras de TV abertas e a cabo, em festivais, cineclubes, universidades e colégios. Poderão ser feitas, também, versões em outras línguas, para exibição no exterior.
A diretora Alvarina Souza Silva é profissional de cinema desde os anos 70, e já trabalhou como produtora executiva em filmes como "Vestido de Noiva", "Dois Pedidos Numa noite suja", "Pequeno dicionário Amoroso", "Quem Matou Pixote", entre outros. Como diretora Alvarina tem seis curtas e os longas "Obra do Destino", "Vida e Obra de Ramiro Miguez", "O Amor segundo Aurélio", "Entre o Paraiso e Brasília".
Até agora a produção conta com os patrocínios da Eletrobrás e Furnas, mas a diretora acredita que também vai receber o apoio da UnB. A previsão é que o filme esteja pronto ainda este ano.
|