O caso da semana passada da Aracruz Celulose (que levou um empréstimo do BNDES com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT) me inspira a falar sobre debilidade dos dirigentes sindicais que não reagiram à concessão do governo Lula, como deviam. Vou aproveitar para falar de mais uma falha deles. É quanto à data-base, servindo de paralisação reivindicatória.
O que quero dizer com isto? O seguinte: o sindicato só cuida de melhoria salarial e condições de trabalho na data-base. E acabou. O sindicato só serve para data-base. Quando deveria estar acompanhando a vida financeira da empresa, a economia do País, a legislação, e propondo, quando necessário, alternativas favoráveis aos trabalhadores.
A inércia nessas áreas é tão grande, que os dirigentes sindicais não se dispõem sequer a discutir a reforma sindical. Imagine que o governo toque a reforma sindical sob indiferença e protesto, no caso dos protestos, das correntes radicais e de direita. Por mais que possa ser impossível direita e esquerda estarem juntas, contra a reforma sindical, no entanto, elas estão.
Não consigo entender o movimento sindical combativo continuar dependendo do imposto sindical. A sua ausência no debate da reforma está no imposto sindical, com o qual os pelegos se sustentaram nos seus sindicatos. O movimento sindical combativo precisa retomar o discurso de quando ele era oposição e desejava acabar com o imposto sindical, para fazer com que os sindicatos se sustentassem por si só. Que representava, na época, a morte da pelegada, que só sobrevivia pelo imposto sindical e a desmobilização da categoria.
O pior que esse discurso contra a reforma também é do empresariado, que se farta nos empréstimos do BNDES, e ainda controla a situação com a data-base. Sindicato desmobilizado, patrão nadando de braçadas.
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