O bem contra o mal




Não é de hoje que se fala que o escândalo é e será sempre o grande chamariz da atenção pública. Responsável por um dos maiores escândalos do Espírito Santo, o ex-presidente da Assembléia José Carlos Gratz foi esse grande chamariz até outro dia. Uma escada pela qual ascendeu e mantêm-se em cargos eletivos uma legião de políticos.

Uns, justamente, mas outros, no senso de oportunismo, sustentados na indignação popular diante dos crimes praticados por Gratz contra a administração pública.

Gratz não só serviu a isso, como também tornou desnecessário que houvesse propostas e projetos para o desenvolvimento do Estado. Ele foi para o pelourinho e serviu para que grande parte dos políticos se livrasse de avaliações públicas. Bastava disputar as manchetes dos jornais e espaços nos noticiários de TV e de rádio pedindo cadeia para ele.

Era dar bordoada no Gratz e encher os olhos da opinião pública. A política do Espírito Santo alimentou-se dos crimes do Gratz, como se fosse uma espécie de morcego que vive do sangue alheio. Em lugar de produzir uma safra de bons políticos, deu ensejo ao oportunismo. Em nome do moralismo, dispensou-se a necessidade de bandeiras de luta e propostas necessárias à coletividade.

Bater no Gratz rendia voto e atestado de honestidade. Mas quando a população se entediou do assunto, sobretudo porque o Gratz estava na cadeia e, ainda por cima, era réu confesso, outras agendas tomaram conta do ambiente político. Diante das necessidades apresentadas pela segurança, pela saúde e educação, principalmente. Quando foi para a mesa dos políticos esse novo menu, eis que soltam o Gratz.

Vão voltar as bordoadas às cegas no Gratz e teremos mais uma eleição sem propostas e discussão dos problemas do Estado. Na base, outra vez, do bem contra o mal.

Mas o Gratz já foi, do ponto de vista político, enforcado, esquartejado, estripado. Sem a mínima possibilidade de voltar a disputar uma eleição. Não é, portanto, nenhum demônio noturno capaz de influir no destino político do Espírito Santo. Mas o senso político diz que ele ainda rende um bom caldo.

É Gratz outra vez no pelourinho para render bons votos aos políticos oportunistas. Cumprindo seu destino de acabar como Judas: malhado em todas as campanha eleitoral.