Empadão eleitoral





Rogério Medeiros

A agenda das eleições foi deslocada para a disputa da Câmara dos Deputados, que passou a ser, inclusive, o seu próprio eixo. E ela ainda anda mais por Brasília do que propriamente pelo Estado. É que cinco deputados federais são presidentes de partidos: Nilton Baiano (PP), Marcelino Fraga (PMDB), Renato Casagrande (PSB), Neucimar Fraga (PL) e Marcos Vicente (PTB).

Nesse cenário, eles formulam e elaboram, mas a marcação é por zona, pois eles buscam a própria sobrevivência. Estritamente, portanto, na eleição proporcional. Com foco para deputado federal, que há 20 fortes candidatos, para apenas 10 vagas. Um processo de acomodação muito difícil. As eleições para o governo e para o Senado, inclusive, são vistas como apêndices desse processo de federal.

Mas os experimentos, que acomodam força, costumam bater sempre no gabinete do governador Paulo Hartung, como o mais recente, que desloca da disputa de federal o secretário de Agricultura, Ricardo Ferraço (PSDB), para a função de vice do governador Paulo Hartung. Pois junto com Renato Casagrande, que é candidato ao Senado, desocupariam duas vagas para a Câmara dos Deputados.

O governador Paulo Hartung não reagiu mal à fórmula. Para os deputados presidentes dos partidos, era tirar de campo o mais votado, redistribuindo os seus votos. Nesse caso, inclusive, o PSDB poderia entrar no chapão que está sendo puxado pelo PMDB, dentro de uma estratégia coletiva.

Nesse chapão já se encontram o PMDB, o PMN, o PSC e na porta para entrar o PTB, o PL e o PP. Pode entrar ainda o PSDB, desde que ele entre sem Ricardo Ferraço. Do contrário, o PSDB vai coligar apenas com o PFL (que não tem nenhum puxador de votos entre os seus candidatos).

Na concepção do chapão cabe, também, PSB e o PT. Só não cabe o PDT, que está sendo isolado por baixa condição de contribuição. Acreditam os formuladores desta Arca de Noé, que o PDT, que terá candidatos fortíssimos à Câmara dos Deputados, como o caso de Suely Vidigal, só tem a ganhar se entrar no chapão.

Com as variações acima, conforme definir o chapão, ele vai fazer de seis a oito deputados federais. Oito, se entrar PSB e PT, sete, entrando PSDB, e seis sem PSB, PT e PSDB.

Mas está também na cara que os cinco deputados presidentes estão jogando muito para o lado do governador Paulo Hartung. No frigir dos ovos, vai ficar mais do que claro. Daí o governador dar corda para que eles busquem a fórmula ideal às suas próprias sobrevivências. Na prática, eles estão fazendo, para o governador, a primeira bateria das eleições. Diante dessa realidade, o governador pôde entrar de férias deixando os federais providenciarem as azeitonas necessárias a tornar mais saboroso ainda o seu empadão eleitoral.

Fragmentos
1 - Quanto às eleições para a Assembléia Legislativa, diante da possibilidade de puxar várias pernas dos federais, a acomodação de forças é relativamente fácil. Não há que queimar tanto fosfato como para a Câmara dos Deputados.

2 - Elas já estão, inclusive, sendo pensadas, mas diferente das eleições para a Câmara dos Deputados, onde boa parte dela possa ficar com os atuais ocupantes. Na Assembléia, o reeleitos previstos, não vão além de 12. Os prognósticos dão conta de uma grande renovação.

3 - E que tal renovação está sendo orquestrada pelo governador do Estado, cujos objetivos são fazer a metade da Assembléia (15 deputados) com deputados produzidos em seu laboratório, à semelhança do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB), que recebeu condições ideais para ser tornar um dos mais votados do Estado. Como secretário de Esportes, ele distribui verbas pelos municípios para construção e reforma de ginásios.