Vida de Imigrante - Cada vez pior




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


As fronteiras americanas aos poucos estão sendo fechadas, e a doce vida de imigrante ilegal já não está tão doce quanto era antes. Mesmo assim, muitos latinos ainda acham melhor tentar a sorte por aqui, ao invés de batalhar minguados salários nos países de origem. A reforma nas leis de imigração começa a tirar o sono de muita gente.

Várias propostas estão sendo discutidas, e se aprovadas vão complicar a vida dos imigrantes atuais e futuros. A começar pelo registro no seguro social, que propõe a aposentadoria apenas para os cidadãos americanos. Quer dizer, os estrangeiros pagam mas não levam. Outra má notícia seria o fim da famosa loteria do green card, que todo ano sorteia o direito de residir e trabalhar no país.

Também tem uma proposta para negar a cidadania aos filhos de imigrantes nascidos no país. Essa lei dificilmente passa, pois é uma tradição americana a generosa concessão de cidadania aos nascidos no país, sejam os pais legais ou nem tanto.

A pior proposta de mudança, porém, é a que tornaria criminoso, não apenas o imigrante ilegal, mas também todas as pessoas amigas, parentes ou que empreguem ou ajudem os 11 milhões de ilegais do país. Se essa lei passar, onde eles vão pôr toda essa gente?

Mas nem tudo são espinhos. Os médicos latinos estudam anos em seus países, mas um belo diploma em espanhol ou português, apesar de todo o esforço exigido, vale muito pouco aqui. A solução tem sido a carreira de enfermeiro ou enfermeira, que paga altos salários. A demanda por profissionais dessa área é tão grande que uma lei está sendo proposta para dar 50.000 vistos por ano só para enfermeiros.

O diploma das faculdades de Medicina do exterior não dá direito a ser doutor na América, e são necessários vários anos de estudo para poder trabalhar aqui. No entanto, tendo um diploma de médico, o imigrante pode praticar enfermagem com apenas um ano de estudo. O curso completo de enfermagem dura de dois a quatro.

No Brasil a enfermagem não é uma profissão tão valorizada como na América, onde os cursos são difíceis e os salários elevados. Para fazer esse curso, porém, as faculdades exigem bom conhecimento de inglês. Garanto que muito médico brasileiro não ganha o que um enfermeiro ganha aqui.