Cansados de esperar apoio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema)/Seama para reabrir o canal natural do Rio Novo para o mar, em Itaputanga, Piúma, os moradores dos Vales do Rio Novo e Orobó recorreram ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) pedindo ajuda para salvar a região da degradação ambiental. E dos prejuízos econômicos.
Os moradores estranham a falta de providências do Iema, apesar de o fechamento de um dos dois canais naturais do rio para o mar provocar danos ambientais consideráveis na região, como destruição da flora e fauna. O relato foi feito pela diretora da Associação de Agropecuaristas do Vale do Orobó (Asvale), Rozeli Coelho Silva.
Agora, a Asvale recorreu ao MMA, buscando o secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (SDS), Gilney Amorim Viana. Foi relatado, entre outros pontos, que o canal de Itaputanga foi obstruído em 1986 pelo DER (atual Dertes) para reforma de ponte próxima. E nunca mais foi reaberto.
Relatam o presidente da Asvale, Aldeir Alves Wingler, e a diretora Rozeli Coelho Silva, que como conseqüência do fechamento do canal natural que liga o rio ao mar, "dois dias de chuvas pesadas bastam para inundar toda a superfície turfosa, que ocupa uma área de aproximadamente 10 mil hectares nos municípios de Rio Novo do Sul, Iconha, Itapemirim e Piúma, com aproximadamente 400 proprietários rurais e as comunidades de Santa Helena, Itataíba, São Francisco, Pedrinhos e Santo Antônio, cujas famílias moradoras vivem em função do trabalho agrícola no Vale do Rio Novo".
E seguem: "A flora e a fauna da região foram comprometidas. O desastre com o meio ambiente foi inevitável. Com o represamento das águas, as várzeas ficam inundadas por dias, meses e até anos, ocasionando o apodrecimento dos capins, morte das pastagens, lavouras, atoladores que chegam afundar animais, aumento assustador de mosquitos transmissores de doenças, peixes morrendo em função da água represada, crianças sem escola e o trabalhador vendo o suor do dia-a-dia, sua luta, sua produção irem literalmente por água abaixo".
Relatam toda a batalha política e jurídica para reabrir o canal, inclusive com decisão judicial para reabrir o canal não cumprida, para solicitar providências ao secretário do SDS.
O fechamento do canal natural de Itaputanga, além de inviabilizar economicamente o vale, coloca em risco a cidade de Piúma no caso de tromba d'água. E deixa desempregados muitos dos que atuavam na região.
O prefeito de Píuma, Walter Luiz Potratz (PSB), vem impedindo o cumprimento de decisão judicial que manda reabrir o canal, inclusive incitando os moradores através de alto-falante neste sentido. Mente aos moradores da cidade informando que a reabertura do canal causará prejuízos econômicos à comunidade e poluição da praia.
O advogado dos agropecuaristas, Joel Nunes de Menezes Júnior, aguarda informações da Justiça local ao juiz de Vitória sobre cumprimento de determinação feita à prefeitura, para requerer a reativação da sentença que manda reabrir o canal.
O cumprimento da sentença foi suspensa pois a segurança que a Polícia Militar devia dar ao oficial de Justiça e aos moradores para reabrir o canal não foi dada. Como cerca de duas centenas de moradores foram incitados pelo prefeito, os produtores procuraram evitar o confronto. Os agropecuaristas da região estranham que a comunicação da Justiça de Piúma ainda não tenha chegado a Vitória, apesar de ter sido feita no dia dois de fevereiro.
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(reportagem publicada em 08/02/2006)
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