Vitória (ES), edição de 16 de fevereiro de 2006
 
Abandonados pelo Iema, moradores
vão ao MMA para reabrir canal no sul


Ubervalter Coimbra

Cansados de esperar apoio do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema)/Seama para reabrir o canal natural do Rio Novo para o mar, em Itaputanga, Piúma, os moradores dos Vales do Rio Novo e Orobó recorreram ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) pedindo ajuda para salvar a região da degradação ambiental. E dos prejuízos econômicos.

Os moradores estranham a falta de providências do Iema, apesar de o fechamento de um dos dois canais naturais do rio para o mar provocar danos ambientais consideráveis na região, como destruição da flora e fauna. O relato foi feito pela diretora da Associação de Agropecuaristas do Vale do Orobó (Asvale), Rozeli Coelho Silva.

Agora, a Asvale recorreu ao MMA, buscando o secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (SDS), Gilney Amorim Viana. Foi relatado, entre outros pontos, que o canal de Itaputanga foi obstruído em 1986 pelo DER (atual Dertes) para reforma de ponte próxima. E nunca mais foi reaberto.

Relatam o presidente da Asvale, Aldeir Alves Wingler, e a diretora Rozeli Coelho Silva, que como conseqüência do fechamento do canal natural que liga o rio ao mar, "dois dias de chuvas pesadas bastam para inundar toda a superfície turfosa, que ocupa uma área de aproximadamente 10 mil hectares nos municípios de Rio Novo do Sul, Iconha, Itapemirim e Piúma, com aproximadamente 400 proprietários rurais e as comunidades de Santa Helena, Itataíba, São Francisco, Pedrinhos e Santo Antônio, cujas famílias moradoras vivem em função do trabalho agrícola no Vale do Rio Novo".

E seguem: "A flora e a fauna da região foram comprometidas. O desastre com o meio ambiente foi inevitável. Com o represamento das águas, as várzeas ficam inundadas por dias, meses e até anos, ocasionando o apodrecimento dos capins, morte das pastagens, lavouras, atoladores que chegam afundar animais, aumento assustador de mosquitos transmissores de doenças, peixes morrendo em função da água represada, crianças sem escola e o trabalhador vendo o suor do dia-a-dia, sua luta, sua produção irem literalmente por água abaixo".

Relatam toda a batalha política e jurídica para reabrir o canal, inclusive com decisão judicial para reabrir o canal não cumprida, para solicitar providências ao secretário do SDS.

O fechamento do canal natural de Itaputanga, além de inviabilizar economicamente o vale, coloca em risco a cidade de Piúma no caso de tromba d'água. E deixa desempregados muitos dos que atuavam na região.

O prefeito de Píuma, Walter Luiz Potratz (PSB), vem impedindo o cumprimento de decisão judicial que manda reabrir o canal, inclusive incitando os moradores através de alto-falante neste sentido. Mente aos moradores da cidade informando que a reabertura do canal causará prejuízos econômicos à comunidade e poluição da praia.

O advogado dos agropecuaristas, Joel Nunes de Menezes Júnior, aguarda informações da Justiça local ao juiz de Vitória sobre cumprimento de determinação feita à prefeitura, para requerer a reativação da sentença que manda reabrir o canal.

O cumprimento da sentença foi suspensa pois a segurança que a Polícia Militar devia dar ao oficial de Justiça e aos moradores para reabrir o canal não foi dada. Como cerca de duas centenas de moradores foram incitados pelo prefeito, os produtores procuraram evitar o confronto. Os agropecuaristas da região estranham que a comunicação da Justiça de Piúma ainda não tenha chegado a Vitória, apesar de ter sido feita no dia dois de fevereiro.


Leia mais:
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    (reportagem publicada em 08/02/2006)

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