"Nada é permanente, senão a mudança."
Heráclito
Em ataques contundentes ao atual governo estadual, o deputado federal João Miguel Feu Rosa (PP) declarou-se abertamente como opositor. Na sua avaliação, o governo Paulo Hartung peca em vários aspectos, como a precariedade na Saúde, na Educação e na Segurança.
Uma das queixas do deputado diz respeito à pouca participação do governo no cenário federal, especialmente junto à bancada capixaba. Feu Rosa também acredita que Paulo Hartung tenha uma estratégia nas eleições deste ano. A partir de uma conversa nos bastidores peemedebistas em Brasília, o deputado montou um provável quebra-cabeças.
Paulo Hartung estaria construindo uma base para ser ministro de Estado. O nome que construiria para governador teria que ser bem forte para brigar com a oposição. Sobre esta última, Feu Rosa faz sua análise. Acha, por exemplo, difícil a consolidação da candidatura de Sérgio Vidigal (PDT).
Diz que o presidente do PDT e ex-prefeito da Serra está envolvido com uma série de processos judiciais. Mas o partido dos Max, pai e filho, também poderá de coligar com o PP, junto com o PL e alguns outros. O tema mais abordado pelo deputado, sem dúvida, foi a falta de sintonia com o governador. Feu Rosa explica os motivos que o levam a subir no palanque de oposição.
Século Diário: - Como é que o senhor está avaliando o cenário das eleições 2006?
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Foto: Ricardo Medeiros
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João Miguel Feu Rosa: - Eu vejo o seguinte: Paulo Hartung não vai ser candidato a governador, por vários motivos. Motivos políticos, motivos de acordos e outros. Um dos motivos é o de que o PT vai lançar candidato e o PDT vai lançar outro candidato. Então, essas duas candidaturas mais a candidatura do governador...? Essa eleição, devido a situação nacional, vai ser obrigatoriamente decidida no segundo turno. E eu acho o segundo turno uma coisa perigosíssima para o governador Paulo Hartung porque o governo dele não prima por um bom gerenciamento na saúde, na educação e na segurança pública, que são temas muito fortes. Eu não vejo o governo dele preocupado com a questão social, esta é uma questão muito forte. Eu diria que a questão de saneamento, a questão de desnutrição infantil, de moradia, de um bom relacionamento nas comunidades... não estão sendo privilegiadas no governo Paulo Hartung. Considerando isso, ele tem duas alternativas: ou ser candidato ao governo ou ser candidato ao Senado. Ora, a candidatura ao governo, eu acho para ele uma forte candidatura, as pesquisas dizem, não tenho dúvida nenhuma, ele está fazendo o trabalho dele... Mas as fraquezas do governo dele... Ora, como o governo é uma máquina muito forte e ele pode assumir uma posição de ser candidato a governador e, ainda assim, ter chance de eleger o governador, e o candidato natural nesse caso é Lelo Coimbra, então eu acho que ele vai garantir a candidatura dele ao Senado e vai fazer um estudo lá com o grupo dele para saber quem vai ser o candidato a governador. O natural é Lelo Coimbra porque é vice-governador. Na época que ele (Hartung) foi para o PMDB, um 'zum-zum-zum' que não tem nada a ver com deputados, com senadores do Espírito Santo, mas eu tenho boas amizades lá, com peemedebistas de outros Estados que têm ligação na nacional com o PMDB... Eles entendiam que ele tinha ido para o PMDB exatamente para assumir uma posição de destaque no Estado do Espírito Santo, elegendo governador, elegendo Senador, fazendo uma bancada de três, quatro deputados federais, e ter cacife na candidatura forte de um deputado, governador ou senador do PMDB à presidência da República. Caso eleito, de ser um ministro de Estado, do Brasil. Esse fato existiu lá, mas, há outros fatores também... PMDB? Vai lançar candidato a presidente da República? Eu acho que sim. PT também. PDT também. Isso tudo reflete no Espírito Santo. Então, para ele que tem uma vaga certa para Senador e administrar, com todos os problemas que a gente sabe, uma candidatura ao governo, com a instabilidade que o Brasil está passando tão grande... Eu acho que esse é um problema de foro íntimo dele. É muito complicado.
- Ele conseguiria fazer um governador?
- Bem, eu acho que não é uma coisa impossível não. Eu acho que, por exemplo, uma estrutura de governo dessas, com todos os percalços que eu já mencionei, com todas as contradições... As contradições não são só na área do governo. As contradições também são da oposição. Então, ele tem muitas condições de, em muitos lugares do Estado, de unir o PT com o voto dele. Noutros lugares, unir com o PDT. Apesar de ser forte uma candidatura da oposição, qualquer que ela seja, o candidato do governo do Estado, do grupo de Paulo Hartung, quem quer que ele seja, vai ser um candidato muito forte.
- Qual a sua avaliação sobre o PDT? O partido vai conseguir fazer Vidigal candidato?
- Bem, o problema é o seguinte: eu acho que ele tem condições de ser candidato pelo PDT. Mas, a experiência que eu tive na eleição à prefeitura da Serra, que me surpreendeu, foi muito grande. E eu acho que isso inviabiliza a candidatura de Vidigal ao governo do Espírito Santo ou até uma candidatura majoritária. É a questão do número alarmante de processos que ele tem na Justiça... Eu não tenho nada com isso e nem fui eu quem induzi. Basta acessar o site do Tribunal de Justiça e da Justiça Federal. Qualquer pessoa, está lá na Internet, vai ver que ele tem um número alarmante de processos na Justiça.
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Foto: Ricardo Medeiros
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- Vidigal?
- Antônio Sérgio Alves Vidigal... Então, o seguinte: com esse acervo de preocupações judiciais, eu acho difícil. Dentro do PDT, não sei. É um problema interno do PDT. Mas, fora do PDT vai ser difícil convencer porque o PDT sozinho não vai entrar numa empreitada dessas. Vai ser difícil convencer o PDT. Eu acredito que nós temos uma tendência: do PP vir a se coligar com essa chapa. Nós não estamos no esquema do governo Paulo Hartung, não estamos articulados com o governador Paulo Hartung. E há uma tendência também do PL de saber o que é que isso. Uma candidatura dessas incorpora dentro de si o alto risco de problemas lá na frente, nos últimos trinta dias da campanha. Então, isso está lá. Eu não sou culpado disso. Tomei conhecimento disso durante a eleição à prefeitura da Serra. Não tiraram do site do Tribunal de Justiça nem do site da Justiça Federal e alguns processos estão até em segredo de Justiça. Então, eu acho que Vidigal, devido a isso, por hora, vai ter que, primeiro, convencer seus parceiros dentro do PDT. E, segundo, depois de resolver esse problema no PDT, convencer os parceiros que, porventura, irão se aliar a ele.
- Há alguma chance de o PP apoiar Cláudio Vereza (PT)?
- Eu não sei por que, chance há, mas nós temos uma hierarquia no partido e eu sempre, dentro dessa questão do partido, acho melhor Nilton Baiano falar, que é o presidente do partido, do que eu. Se bem que nós estamos cem por cento sintonizados... Mas é melhor ele falar.
- Como é que ficaria, então, uma aliança do PP com o PDT?
- Isso não depende só de nós. Nilton teve lá um problema doméstico com o PDT... Depois que o PDT resolver o seu 'caso' lá, então nós vamos conversar. Nós temos a desconfiança de que Vidigal... 'Vai pra frente, vai pra trás...' Ele está dessa maneira. É o sentimento que nós temos, há vários meses. Ele não diz: 'Sou candidato a governador.' ou 'Sou candidato a senador.' Não está correndo atrás disso. Ele está cheio de altos e baixos nessa área. Então, nós vamos esperar. Esperar. Nós estamos em paz. Nós temos nossas posições. Agora, é muito importante para nós do PP um candidato bom. É muito importante. Aí, o caso do Max Filho ou do Max 'pai', se for o caso do PP em nível federal... Bem, grande parte da bancada o PP, na maioria das vezes, apoia do governo Lula. Em alguns casos sim, alguns casos não, dependendo da votação.