O qualificativo de região mais bonita do planeta, dado pelo mundialmente famoso paisagista e naturalista Burle Max aos Pontões Capixabas quando a vegetação de mata atlântica os circundava, não vale mais.
Hoje, em que pese estarem íntegros vários dos monumentos de granito, formações rochosas ímpares no planeta, na maior parte da região não há mais mata nativa. E não há, como antigamente, água em abundância. Sem a flora primitiva, a fauna foi destruída.
O que resta é quase nada. E foi para salvar o pouco que resta que foi criado o Parque Nacional dos Pontões Capixabas, em 2002. Como se trata de área de proteção integral, os moradores protestaram e fizeram um movimento que redundou em acordo para transformar o parque em Monumento Natural, tipo de unidade de conservação onde suas propriedades e atividades produtivas poderiam manter. Com intervenção do Ibama, o acordo foi firmado na semana passada. Para ser válido, terá que ser transformado em projeto de lei e ser aprovado pelo Congresso Nacional.
Mas o acordo dá conta de uma área restrita, 17.496 hectares, nos municípios de Pancas e Águia Branca, no noroeste do Espírito Santo. Os Pontões Capixabas têm 110 mil hectares, boa parte dos quais devem ser protegidos. Devem ser protegidos para que a vegetação possa se recuperar, e assim voltar a ter água, criando condições para reintrodução da fauna destruída.
Durante a busca do acordo sobre o parque, houve incapacidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do governo do Estado (Seama/Iema) em alocar os recursos necessários para o levantamento aéreo da região, medida preliminar para os outros estudos que precisassem o que fazer na região do ponto de vista de criação de unidades de conservação. Mal se conseguiu recursos para fotografar do ar 90 mil hectares.
O que os governos federal (através do MMA e Ibama) e o governo estadual (através da Seama/Iema) têm a fazer é por de lado a letargia e o abandono a que legaram a região dos Pontões Capixabas e realizar os estudos necessários para embasar a criação de um mosaico de unidades de conservação na região. Medida proposta, com total acerto, por instituições do porte do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (CN-RBMA), e por cientistas e ambientalistas capixabas.
O que não pode é os governos permitirem que o pouquinho que resta nesta região magnífica, que vai de Pancas a Ecoporanga, se perca.
Basta de omissão.
A hora é de ação pelos Pontões Capixabas!
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