Vitória (ES), edição de 22 de fevereiro de 2006

Moradores assumem pesquisa
de opinião sobre Nova Cidade



Anderson Cacilhas
Foto capa: Ricardo Medeiros



Representantes das associações de moradores da Ilha do Boi, Enseada do Suá e Praia do Suá, além do Conselho Popular de Vitória e Transparência Capixaba, se reuniram na noite desta terça-feira (21) e decidiram realizar uma pesquisa de opinião em Vitória sobre o empreendimento Nova Cidade. Eles decidiram desistir do dinheiro da Câmara e os recursos serão recolhidos entre os cidadãos do município.

A pesquisa deve ouvir a população sobre a construção do empreendimento Nova Cidade, que pretende erguer 13 prédios de 19 andares cada, em uma área entre o Shopping Vitória e a Ilha do Boi.

As associações querem saber se os moradores concordam com a construção do condomínio. Segundo o vereador Luciano Rezende (PPS), que participou da reunião, o Estatuto das Cidades permite que a população seja ouvida sobre grandes empreendimentos e que tenha sua opinião levada em conta, mesmo que o projeto esteja dentro da legalidade.

O levantamento de preços das pesquisas já está sendo realizado e ainda esta semana será decidida a forma como os recursos serão recolhidos na cidade.

Luciano Rezende explicou que o projeto que permitia a realização da pesquisa com recursos da Câmara Municipal de Vitória já foi aprovado há mais de dois meses e até hoje está parado na procuradoria da Casa. "A velocidade com que a matéria tramita no legislativo é preocupante. É temerário ficar esperando, pois a pesquisa pode perder sua importância", explicou o vereador.

Rezende não teme que a atitude de as associações providenciarem a pesquisa levante suspeitas sobre a idoneidade do resultado. Ele enfatizou que será contratado um instituto de pesquisa que realizará o trabalho com rigor científico e que todo o processo, desde o levantamento dos recursos até a realização da pesquisa, será acompanhado pela Ong Transparência Capixaba.

Nova Cidade

O projeto prevê a construção de 13 edifícios com 19 andares cada, em uma área entre o Shopping Vitória e a Ilha do Boi. O condomínio causou muita polêmica sobre seu impacto visual, ambiental, de infra-estrutura e trânsito, abrindo um debate na zona norte da cidade e que acabou se estendendo por toda a capital.

Uma liminar havia impedido a prefeitura de analisar o relatório de impacto urbano do empreendimento e foi derrubada pelo Tribunal de Justiça (TJES) na semana passada.

Críticas à prefeitura

Durante a reunião desta terça (21), as associações decidiram lançar um movimento popular, o "Nossa Cidade, Sua Cidade", que discutirá, entre outras coisas, a aprovação do novo Plano Diretor Urbano (PDU) da capital. O tom das decisões tomadas põe em xeque algumas posturas da prefeitura.

A presidente da Associação dos Moradores da Ilha do Boi, Marilza Celin, deu o tom da crítica à municipalidade salientando que o projeto do novo PDU ainda não foi enviado para a Câmara. "A prefeitura anunciou que enviaria em setembro, depois em novembro, dezembro, mas esqueceu de dizer em qual ano faria isso", ironizou. Ela teme que, caso o executivo não envie o novo PDU imediatamente para o legislativo, a cidade não tenha mais nada para discutir, já que a revisão do Plano provocou uma corrida para aprovação de novos projetos nos moldes da lei anterior.

Marilza explicou que o movimento popular não terminará após as discussões do Nova Cidade. A proposta é que sejam discutidos os problemas da cidade permanentemente, incluindo o PDU.

Luciano Rezende também criticou a estratégia da prefeitura quanto ao PDU, que segundo ele, é temerária. A prefeitura teria cometido grandes equívocos na revisão do Plano, como a liberação de abertura de comércio de qualquer natureza, em qualquer ponto da cidade, com até 300 metros quadrados. Essa liberação poderia comprometer as características residenciais de bairros como a Enseada do Suá, Morada de Camburi, Bairro de Lourdes, Santa Cecília, Fradinhos, Ilha do Boi e Ilha do Frade.

A Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sdec), responsável pelo PDU, foi procurada, mas até o fechamento desta matéria não retornou os contatos feitos pela reportagem de Século Diário. Segundo a assessoria de imprensa, o secretário, Kléber Frizzera, estava em reunião.