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Após sofrer interdição inédita,
dermatologista presta depoimento
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Paulo Rogério
Foto capa: Arquivo Século
A dermatologista Isabela Cruz Natali foi alvo de uma medida inédita do Conselho Regional de Medicina (CRM) - a informação foi confirmada pelo conselho nesta quarta (22). Pela primeira vez um profissional sofreu interdição médica cautelar - suspensão temporária de suas atividades. No período da tarde a médica prestou depoimento no Ministério Público do Espírito Santo (MPES/foto).
Pelo menos oito pacientes que foram medicadas pelo procedimento denominado Lipo Light protocolaram denúncia contra a médica. A maioria delas acompanhou o depoimento de Isabela Cruz, além de representantes da Vigilância Sanitária, da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Estado e assessores jurídicos do CRM. Se for considerada culpada por meio de ações judicias, ela pode perder seu registro profissional (CRM/ES 66 62), além de sofrer outras sanções penais.
A decisão do Conselho foi na noite de segunda-feira (20), mas só veio a público nesta quarta-feira (22), pela manhã. Vinte e um conselheiros votaram a favor da interdição, eles consideraram que as denúncias e investigações surgidas nos últimos dias apontam para "fortes indícios de negligência, imperícia e imprudência", conforme consta em edital do conselho plenário.
O presidente do CRM, Saulo Ribeiro do Val, marcou entrevista para o final da tarde desta quarta (22) para repercutir o fato e esclarecer dúvidas sobre quais serão os próximos passos. Um dos assuntos diz respeito a criação de um certificado para clínicas e consultórios regulamentados pelo conselho e entidades representativas de classe, proposto pelo MPES, afim de uma fiscalização mais rígida.
O presidente Saulo Ribeiro adiantou ao Século Diário que ainda não recebeu qualquer ofício do órgão estadual, a respeito da proposta do promotor de Justiça, Sain't Clair do Nascimento - que preside o inquérito da denúncia contra a profissional. O inquérito do MPES foi instaurado na última semana e tem 90 dias de prazo para conclusão.
Caso seja acionada, Isabela Cruz Natali terá que responder judicialmente a processos nas esferas criminal e cível. Processos criminais estes que podem resultar em condenação por autoria de lesões corporais. Na esfera cível ela pode ter o registro cassado, pode responder também a um processo de ressarcimento de danos morais e corporais das pacientes, e pela interdição de seu consultório.
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Médica teria recomendado tatuagem para esconder erro
Em tarde movimentada no MPES, novas vítimas de procedimentos estéticos mal sucedidos compareceram ao órgão. A audiência começou quase uma hora depois do horário previsto. Nesse meio tempo a denunciada foi conduzida para o centro de apoio do órgão, enquanto jornalistas e ex-pacientes da médica aguardavam no térreo do prédio o início da sessão. Uma delas afirmou que fora recomendada, pela especialista acusada, a fazer uma tatuagem para esconder as incorreções.
Algumas das novas vítimas que compareceram no local foram a professora aposentada Vera Maria Faria Santos, 66 anos, e a estudante e cabelereira (de Domingos Martins, região serrana do Estado), Petúnia Elias Helmer, 20.
A primeira foi submetida a tratamento para retirada de rugas, próximo à boca. Dona Vera Maria mostrou fotos em que a mesma região apresentou ferimentos e necrose (pele morta). Hoje em dia seu rosto está perfeito, depois de 13 sessões hiperbáricas, três cirurgias e um tratamento de pigmentação.
"Antes disso ela sugeriu que eu fizesse uma tatuagem no local, para esconder o problema. Graças a Deus, depois de todo o tratamento que fiz, minha face ficou normal novamente", disse. Ao participar do início da sessão, minutos após a entrevista, Vera Maria comoveu a todos que acompanhavam a audiência preliminar de inquérito. Ela chorou ao mostrar fotos aos promotores de Justiça e representantes do entidades médicas.
A moça de 20 anos, de Domingos Martins, antes da sessão foi filmada e fotografada pela imprensa. Petúnia Helmer fez tratamento com Isabela Cruz para retirada de gordura localizada. A paciente ficou com manchas e nódulos na região do abdômen, até de uma cicatriz nas costas. A jovem gastou quase R$ 2.300 (divididos em 10 vezes) para pagar o tratamento.
"Meu tratamento foi em julho do ano passado. Depois que começaram a aparecer as manchas, logo depois do tratamento, ela recomendou que eu usasse um ácido. Mas quase uma semana depois as manchas aumentaram, parei de usar o que ela recomendou. Depois ela disse para eu usar um ácido mais fraco, mas resolvi fazer tratamento com outros médicos e tive uma recuperação parcial", disse.
A moça disse que a mãe dela também teve seqüelas internas na boca num tratamento, e que conhece pelo menos mais três pessoas em Domingos Martins que teriam se tratado com Isabela Cruz.
Vera Maria e Petúnia Helmer se juntaram a outras sete mulheres para prestarem depoimento (relatando os casos) na audiência desta quarta-feira (22). Isabela Cruz afirmou que conhece apenas cinco das depoentes, por meio de notícias e da investigação do CRM, mas negou que tivesse ocorrido qualquer erro no tratamento de tais pacientes.
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