Vitória (ES), edição de 22 de fevereiro de 2006

Assembléia de delegados discute
condições de trabalho na PC



Paulo Rogério
Foto capa: Bernardo Coutinho

Além do encontro dos policiais civis do Estado nesta quinta-feira (23), outro encontro vai discutir a reestruturação remuneraria e as condições de trabalho dos delegados da corporação. A assembléia convocada pelo presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil do Estado (Sindelpo), Dirceo Antônio Leme de Melo (foto), será no auditório do Detran, em Vitória.

Será realizada em duas chamadas (às 14h30 e às 15h) e com indicativo de greve. Há uma imensa insatisfação entre os delegados do Estado, que estão cobrando cada vez mais iniciativa da entidade representativa. A possibilidade de paralisação geral ou apenas de advertência não está descartada. De acordo com o Sindelpo, cerca de 150 delegados estão na ativa e 100 são aposentados.

Os delegados querem paridade salarial com oficiais da Polícia Militar (adicional de inatividade, aposentadoria especial, gratificação de comando e outros termos), reestruturação das delegacias de polícia para os serviços de plantão na Grande Vitória, além de desafogar alguns profissionais que respondem por mais de uma Delegacia de Polícia Judiciárias (DPJ), em períodos de plantões, tanto na Região Metropolitana, como no interior do Estado - a categoria alega que não recebe qualquer adicional para atendimento destas ocorrências.

"O delegado responsável pelo DPJ de Iúna (sul do Estado), já teve que chefiar até cinco delegacias ao mesmo tempo", revelou o diretor jurídico do Sindelpo, Heli Schimittel.

O delegado disse que além dos números de inquéritos (contraposto com a defasagem de servidores), os chefes dos DPJs têm que conviver nos plantões com diversos problemas de má estrutura física (em alguns casos), condições de insalubridade e problemas de superlotação.

"Esses fatores acarretam uma série de problemas na saúde mental de nossos colegas. Não tenho o dado preciso que levantamos, mas posso te dizer que cerca de 10% a 15% dos delegados na ativa estão afastados por problemas de saúde", afirmou.

   

Mobilização atinge toda a polícia civil

A assembléia dos servidores da Polícia Civil, entre escrivães, agentes, peritos papiloscópicos, peritos criminais e auxiliares de perícia médica legal também está marcada para esta quinta-feira (23). No encontro serão discutidas as principais reivindicações da categoria - que vão ao encontro de algumas dos delegados.

A assembléia no pátio da Chefatura de Polícia, em Vitória, também será com indicativo de greve. A pauta de reivindicações dos policiais não é pequena. No entanto, caso a secretaria possa atender a algumas das principais reivindicações dos 4,5 mil policiais ativos, talvez a sociedade não terá prejuízos com uma provável greve geral.

Algumas das principais reivindicações dos policiais civis são: reposição de perdas salariais (35% segundo a categoria), vale-alimentação, anexação das escalas especiais, plano de cargos e salários e reestruturação da polícia, e melhorias nas condições de trabalho.