A entrevista coletiva internacional de Carlos Ghosn, na sede da Renault em Boulogne-Billancourt, em Paris, atraiu as atenções pela expectativa criada em torno das estratégias que ele decidiu adotar para garantir a lucratividade nos próximos anos. O brasileiro Ghosn é, atualmente, um dos executivos mais respeitados da indústria automobilística pelo trabalho executado no Japão a frente da Nissan, que o credenciou a assumir o comando da aliança Renault-Nissan desde maio do ano passado.
Durante nove meses trabalhou no diagnóstico e em um novo plano corporativo ouvindo interlocutores dentro e fora da Renault. Na ultima quarta-feira (08), anunciou para uma platéia de mais de 400 jornalistas seu plano Compromisso Renault 2009 cujos objetivos principais são um aumento da produção anual de 800.000 unidades em nível mundial e elevação da margem operacional para 6%, o que colocaria o fabricante francês na liderança em rentabilidade entre as marcas européias de alto volume ou generalistas.
As notícias para a filial da Renault, em São José dos Pinhais, PR, são muito positivas. A empresa trabalha, atualmente, com índice de ociosidade acima de 60 %, em apenas um turno e a participação de mercado não chegou a 3% em 2005, o que a fez perder três posições no ranking de vendas nos últimos três anos. Ghosn anunciou a produção de cinco novos modelos e o reforço da área de engenharia no Brasil, como parte de um esforço para conter os custos via melhor utilização das instalações industriais fora da França, o que inclui Romênia e Coréia do Sul.
Ghosn fez uma analise objetiva das dificuldades da operação no Brasil. "Fizemos um grande investimento de US$ 1,3 bilhão e sempre acumulamos prejuízos. O mercado encolheu, houve fortes variações cambiais e de taxas de juros e outros fabricantes também perderam dinheiro. Mas agora alguns começaram a se recuperar e vamos reverter isso com os lançamentos e aumento do índice de nacionalização, nos tornando menos vulneráveis", afirma ele.
Essa onda de lançamentos começa já no próximo mês com o Mégane II sedã. Embora nada tenha sido comunicado oficialmente, o vice-presidente da Renault Michael Gornet em contato com jornalistas brasileiros admitiu que a versão station wagon ou perua do Mégane também está confirmada ainda para este ano.
Há mais três produtos derivados do Logan, uma família de modelos compactos anunciada anteriormente a partir de 2007. Por enquanto só existe o sedã, mas já se sabia que a station wagon chegaria em seguida. O próprio Ghosn anunciou a surpresa: um utilitário esporte compacto, baseado no Logan, que completará a linha. A Renault poderá assim dar combate direto ao Ford EcoSport, tudo indica a partir de 2008.
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