Vitória (ES), edição de 23 de fevereiro de 2006    
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Mulheres, Velho Chico, arquitetura e carnaval



Da Redação


  
Foto: Divulgação
  
No segundo dia de desfiles do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro mais sete escolas passam pela avenida. Na edição desta quinta-feira (23), o Século Diário apresenta o enredo de mais quatro escolas, entre elas a Porto da Pedra, Estação Primeira de Mangueira, Viradouro e Mocidade Independente.

A alma feminina será a grande homenageada da escola Porto da Pedra, no carnaval 2006. "Bendita és tu entre as Mulheres do Brasil" é o enredo, que vai começar abordando a criação do universo. Os mitos da criação, a luz, o movimento e a matéria, o firmamento, a Terra, os animais e os homens.

Mas é a mãe como receptáculo de todas as coisas criadas e visíveis, numa sintonia entre terra, fogo, ar e água, que será mostrada com mais força na avenida. O carnaval da Beija-flor vai homenagear o grande exemplo de mãe: Maria, a mãe de Jesus.

Em seguida, as mulheres que fizeram parte da história do Brasil: índias, negras, brancas, valentes e vilãs, escravas e nobres. O avanço feminino na sociedade, as mulheres na arte, na família ou no trabalho: mães, tias, avós, professoras, chefes, amigas, namoradas, companheiras.

  
Foto: Divulgação
  
O Velho Chico no samba

O rio São Francisco será tema da Mangueira: "Das águas do Velho Chico, nasce um rio de esperança". A história contada pelos portugueses será um dos enfoques: o Opará, "rio-mar", batizado pelos índios. O dia quatro de outubro, comemorado como o dia de São Francisco, batizou o rio em língua portuguesa.

O nascimento do rio, o passeio de Minas à Bahia, os obstáculos, as cascatas, os mitos, as lendas, os mistérios: tudo em busca da preservação, que parece a tônica de muitas escolas de samba este ano. As rezas, as manifestações populares, as margens promissoras de esperança e de um futuro melhor. Os desafios do sertão do Brasil.

As disputas entre Juazeiro e Petrolina: o primeiro como palco do "inventor da bossa-nova" e o segundo como o precursor da idéia da "uva sem caroço". A discussão pela transposição a outros Estados nordestinos também vai surgir. Por enquanto, tudo é samba.

Arquitetando a folia

  
Foto: Divulgação
  
A Viradouro vai encarar um tema bem urbano. "Arquitetando Folias" é o enredo, que vai tentar contar a uma breve história da Arquitetura no Brasil, enfocando os principais estilos característicos e predominantes em cada época. As alegorias mostrarão a essência de cada estilo.

A escola vai contar duas histórias paralelas. Com a Arquitetura, o nascimento das alegorias. Com as folias, as fantasias. A presença arquitetônica no Brasil vai ser contada desde as primeiras manifestações do povo brasileiro, com os índios, passando pelos gênios populares, como Aleijadinho, até culminar com a construção do o Sambódromo, de Oscar Niemeyer.

Não somente os arquitetos famosos serão lembrados, mas os mais esquecidos: o índio na sua oca, o caipira Jeca Tatu na sua casa de sapê, o talentoso mestiço Aleijadinho, os nordestinos que ergueram a moderna São Paulo e os criativos moradores das favelas. Além de cobrar responsabilidades dos construtores, a escola promete abordar alguns temas, como as edificações perigosas, a exploração dos corretores imobiliários.

  
Foto: Divulgação
  
Eterno carnaval

"A vida que pedi a Deus" é o enredo da Mocidade Independente neste ano, como um dos lemas de qualquer ser humano. Será retratado na Sapucaí de forma bem humorada e, claro, carnavalesca. "Viver bem" resume o campeão dos desejos, secretos ou não, com ingredientes como imaginar, sonhar e transformar.

Para os sambistas da Mocidade, "Sambo, logo existo!" é a filosofia do momento. É uma espécie de convite ao público para sonhar com um eterno carnaval. A paz será retratada como o primeiro cavaleiro que desce dos céus. A escola chama para a consolidação de "uma mocidade consciente e independente".

O mundo nem preto nem branco, mas plural. Misturado com todas as raças: mestiço. Mesclado com todos os sons: carnaval. Na avenida, clarins anunciam a segunda ordem celestial para a reinvenção do mundo. Depois da paz, outros cavaleiros: Fartura, Saúde e Equilíbrio. E, assim, a apoteose do mundo, à procura de uma natureza feliz.

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