Vitória (ES), edição de 24 de fevereiro de 2006    
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Mozart, fé e identidade: tudo vira carnaval



Da Redação


  
Foto: Divulgação
  
A escola de samba Unidos da Tijuca escolheu um tema que tem tudo a ver com o clima do carnaval: a música. O enredo traz a sua tônica: "Ouvindo tudo que vejo, vou vendo tudo que ouço". Além das imagens, a emoção despertada pela música vai evocando algumas cenas musicais que marcaram época.

Um dos mais irreverentes mestres da música, Wolfang Amadeus Mozart, surgirá na Sapucaí, com um compositor que rompeu com o tradicionalismo da ópera e criou comédias e dramas populares. Mozart será o convidado da Tijuca para reger o desfile em sete atos.

No clima da marchinha carnavalesca, pastorinhas, mascarados, arlequins, pierrôs e colombinas que continuam se apaixonando. Os bares das esquinas, as rodas animadas, as quadras das escolas, as trilhas dos filmes no escurinho do cinema, o aplauso ou a vaia, o estrelato da fama, os LPs girando nas vitrolas, a era dos CDs: tudo vai desembocar no grande ato, na apoteose do samba.

A fé carnavalesca

A escola Império Serrano vai homenagear um dos temas mais polêmicos e caracterizadores da miscigenação brasileira: a religiosidade. "O Império do Divino" é o enredo, que já começa com a exaltação ao Deus infinito, que transmite fé e esperança.

O "Divino Espírito Santo" será lembrado. O ritmo sagrado, a mistura de fé e pecado, os filhos do congo, o cortejo do maracatu, o brilho da estrela-guia e o anúncio de uma nova era. Os Três Reis Magos também entrarão na folia do Império. Em seguida, a penitência pós-carnaval, a Semana Santa, os tapetes em devoção a Corpus Christi.

  
Foto: Divulgação
  
Gente sofrida, o sacrifício da promessa, beatos que seguem em romaria, Padre Cícero, os folguedos do auto da fé, festas dedicadas a São Benedito e ao reino lendário de Nossa Senhora do Rosário. Os festejos do boi-bumbá, os caboclinhos, os guerreiros e a cantoria do reisado, os mitos indígenas, as forças da umbanda e do candomblé. O "amém" ao carnaval.

A cara do povo brasileiro

A Portela vai mostrar mais uma mistura do povo brasileiro. "Brasil marca tua cara e mostra para o mundo" é o enredo, com a proposta de contar na avenida o que o país tem de melhor. O povo será retratado através da idéia de mestiçagem e do sincretismo religioso. A escola vai mostrar uma história que "Cabral não conheceu".

Habitantes que estiveram em terras brasileiras, antes da "descoberta" dos portugueses: fenícios, egípcios e até a hipótese de mongóis, dentre outros. A Portela vai exibir o cenário e os personagens das grandes navegações e outras expedições já haviam passado pelo Brasil. Os índios representados por inúmeras tribos, como os primeiros habitantes, serão mostrados também como cultuadores da natureza.

A exploração das riquezas com outros navegadores, a cara da negritude, a força da resistência, a cara do imigrante e todos os ingredientes étnicos que começaram a se misturar no território brasileiro. As marcas artísticas e culturais deram origem ao "semba" (dança de origem africana), para virar samba, na tradução brasileira. Outras músicas, outros ritmos, outras crenças: a festa das cores para o público.

 

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