Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Namy Chequer: um comunista
ao lado de Lula e Paulo Hartung





Cristina Moura


"Ao término do jogo, o rei e o peão voltam para a mesma caixa."
Provérbio italiano

O cenário das eleições 2006 no Estado do Espírito Santo conta com um ingrediente que ainda não se definiu: a esquerda ou as forças que compõem a esquerda. Será que a figura do governador Paulo Hartung é o ponto de partida para uma possível definição?

Século Diário convidou um dos mais atuantes protagonistas da esquerda estadual para a entrevista deste final de semana. Namy Chequer, ativo no PC do B, o partido que lhe deu uma vaga na Câmara de Vitória na última gestão. Atualmente, além de radialista e jornalista, é suplente de vereador.

Para ele, o cenário ainda é incerto, sob alguns aspectos. Uma das principais decisões os comunistas já tomaram: trilhar rumo à reeleição do presidente Lula. Há, ainda, outra perspectiva que se desenha para este ano: fixar uma candidatura ao Senado. Na avaliação de Namy, o PT não necessita de candidatura própria o governo do Estado.

Século Diário: - Eleições 2006 no Estado. Para que lado vão os comunistas?

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- Nós do PC do B, num debate recente, com as lideranças nos municípios, adotamos a seguinte orientação: em primeiro lugar, nosso compromisso principal é com a reeleição do Lula. A reeleição do Lula é o elemento principal para a definição das alianças, portanto, nossa tendência é a de buscar alianças no mesmo campo onde vão estar as forças que defendem a reeleição de Lula. A orientação nacional do partido: buscar o PMDB como aliado necessário para a reeleição de Lula, em todos os Estados. Nós entendemos que uma aliança nacional se faz com a soma das forças estaduais. É a soma das forças estaduais que dá a aliança nacional. No caso do PMDB no Espírito Santo, o esforço nosso é de atrair o governador Paulo Hartung para o campo que trata da reeleição do Lula.

- O senhor tem esperança de que o governador embarque na candidatura do presidente Lula?

- Lula e o governador Paulo Hartung mantiveram uma excelente relação, desde o início da gestão dos dois. O Espírito Santo foi quem mais se beneficiou disso. Quem mais aferiu vantagens nessa relação foi o governador Paulo Hartung. O PMDB é dividido em tendências. Me parece que a tendência do governador é aquela mais ligada ao projeto do Lula. Parece que o governador se identifica com as forças governistas dentro do PMDB. Eu não vejo o governador Paulo Hartung ligado às tendências peemedebistas refratárias ao governo de Lula. Em segundo lugar, a boa relação mantida com o prefeito João Coser (PT), com o prefeito Helder Salomão (PT), a boa relação mantida com o PSB, que é uma base importante do governo Lula. E com o PC do B, digo que ele tem uma passagem importante, que ele tramita bem nas forças que estão comprometidas com a reeleição de Lula, embora a gente não desconheça que ele também tramite com igual desenvoltura no campo hostil à candidatura de Lula. Mas, qual o papel, como receber o governador dividido entre esses dois campos que vão antagonizando e polarizando a disputa? Qual o papel do comunista? Atrair reforço para o seu lado.

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- E o partido já conversou com o governador?

- A direção do partido teve uma conversa, uma longa conversa, duas horas de conversa política com o governador. O governador não disse que era candidato à reeleição, por isso que nós não podemos dizer que vamos apoiá-lo. Se é para apoiar o governador antes de dizer que ele é candidato, não tem sentido. Ele falou da boa relação que ele tem com o governo de Lula, falou o que ele pretende para o Espírito Santo... Foi uma conversa muito amistosa. O PC do B apoiou a eleição de Paulo Hartung e teria que ter um argumento muito forte para ficar contra ao governo a essa altura do campeonato.