Vitória (ES), edição de 27 de fevereiro de 2006    
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Os primórdios da festa



Felicia Borges


  
Foto: Divulgação
  
Cena de um entrudo, nos primórdios do carnaval brasileiro
O carnaval é uma das manifestações mais populares do país, festejado em todo o território nacional. Embora a festa brasileira seja uma das mais conhecidas do mundo, não foi aqui que tudo começou, nem da mesma forma que acontece hoje. A origem do carnaval estaria nas festas em que gregos e romanos comemoravam as colheitas.

As Saturnálias romanas, antes ainda da era cristã, eram um período de liberação das convenções sociais. Os escravos tomavam os lugares dos senhores e saíam às ruas para comemorar a liberdade e a igualdade entre os homens, cantando e se divertindo em grande desordem. Não funcionavam os tribunais e as escolas.

Na abertura dessas festas ao deus Saturno, carros buscando semelhança a navios saíam na "avenida", com homens e mulheres nus. Estes eram chamados os carrum navalis. Os italianos adotaram, então, a palavra "Carnevale", sugerindo que se poderia fazer carnaval - "ou o que passasse pelas suas cabeças" antes da quaresma, numa espécie de abuso da carne.

Brasil

No Brasil, o carnaval foi introduzido pelos portugueses sob a forma de "entrudo" por volta do século XVII. Por meio de limões de cheiro, bisnagas, seringas, bacias e baldes, molhavam-se uns aos outros. Havia muita briga e confusão, mas não havia música. O entrudo acontecia num período anterior à quaresma e tinha um significado ligado à liberdade.

A folia brasileira foi influenciada pelas festas carnavalescas européias. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro.

  
Foto: Divulgação
  
Um carnaval do início do século XIX
No século XIX, fugindo da violência do entrudo, começaram a ser realizados bailes de máscara, inicialmente para a elite, feitos em hotéis e teatros do Rio de Janeiro. Nesses bailes não se dançava ainda o samba, mas o schottische, as mazurcas, as polcas, as valsas e o maxixe, que era o único ritmo genuinamente nacional.

A partir daí o carnaval pode ser dividido em dois tipos distintos de manifestação: um, feito pelas classes mais ricas nos bailes de salão, nas batalhas de flores, nos corsos e desfiles de carros alegóricos; outro, feito pelas classes mais pobres nos maracatus, cordões, blocos, ranchos, frevos, troças, afoxés e, finalmente, nas escolas de samba.

A primeira música de carnaval surgiu em 1869 e foi Zé Pereira, a mesma música que é cantada até os dias de hoje. Até então, todas as canções eram instrumentais ou em outro idioma. Nesse período também começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos", que juntava pessoas fantasiadas, em carros decorados, que saíam em grupos e desfilavam pelas ruas das cidades.

A folia atual

No século XX o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas, que deixavam o carnaval cada vez mais animado. O confete, a serpentina e o lança-perfume, os três elementos que, entre o início do século e a década de 1950 animaram o carnaval brasileiro de salão, também cooperaram para o maior êxito dos corsos, que deram vida ao carnaval de rua.

A primeira escola de samba, a Deixa Falar, surgiu no Rio de Janeiro, criada pelo sambista carioca Ismael Silva, que anos mais tarde se transformou na Estácio de Sá. A partir daí o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Mas o carnaval de rua ainda manteve suas tradições originais na região Nordeste do Brasil, por exemplo, em cidades como Recife e Olinda, onde as pessoas saem às ruas durante o carnaval no ritmo do frevo e do maracatu. Em Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região, além dos blocos negros como o Olodum e o Ileyaê e dos blocos de rua.

 

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