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Foto: Divulgação
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| Cena do filme "Orfeu Negro"
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Para quem quiser perceber como a temática do Carnaval se infiltrou no cinema, vale conferir algumas obras que foram importantes para o cenário nacional. Na década de 1930, as produções cinematográficas alcançaram um nível respeitado entre artistas, sobretudo músicos e atores que se iniciavam na "sétima arte".
Humberto Mauro era um nome em ascensão. Em 1933, realizou seu primeiro filme falado: "A Voz do Carnaval", que mostrava vários cantores, como Carmem Miranda, interpretando marchinhas carnavalescas. Cenas ao vivo e de estúdio foram mescladas, numa espécie de semi-documentário, que também insere a figura do Rei Momo.
Mauro parecia gostar de Carnaval ou do que o movimento revelava socialmente. Outra obra sua, "Favela dos Meus Amores" foi o primeiro a retratar uma favela e a contar a história de uma escola de samba. A Portela participou, não somente como um conjunto de situações fictícias, mas contagiando com o seu samba.
Orfeu
Em "Orfeu do Carnaval" (Oephée Noir), o tema voltou a ser tratado. Desta vez, com mais ficção. A produção francesa de 1959, também chamada de "Orfeu Negro", dirigida por Marceu Camus, baseou-se na peça de Vinícius de Moraes. O filme também vale pela beleza da música de Luiz Bonfá e Tom Jobim. No elenco, atores brasileiros e franceses se misturaram para reviver o drama de Carnaval, que reflete as hierarquias sociais, além das diferenças entre a capital e o interior.
O filme ganhou Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Globo de Ouro e Palma de Ouro em Cannes. Mas, na época, dividiu o Oscar com outros três filmes: o japonês Kagi (a ponte da desilusão), o alemão Morangos Silvestres e outro alemão Wir Wunderkinder. Quarenta anos depois, é refilmado como "Orfeu", ganhando uns minutos a mais, com Cacá Diegues na direção.
A segunda versão ganhou música de Caetano Veloso e a participação do cantor Toni Garrido como protagonista, além dos veteranos Milton Gonçalves, Zezé Motta e Cássio Gabus Mendes e, inclusive, o humorista Castrinho. A história recebeu componentes mais atuais, como a paixão de Orfeu e Eurídice atrapalhada por Lucinho, um traficante.
Um marco no estouro das bilheterias, o filme foi premiado no Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora e Melhor Fotografia, além de ter sido o representante brasileiro ao Oscar 2000. A Unidos da Carioca, tratada na peça de Vinícius de Moraes, foi representada pela Viradouro. O curioso é que as cenas de desfile de Carnaval foram rodadas durante o desfile da escola na Marquês de Sapucaí, um ano antes ao lançamento.
Para quem quer saber mais história do Brasil, com umas pitadas de carnavalescas, vale "Xica da Silva" (1976), também de Cacá Diegues. A negra exuberante chocou a sociedade de Diamantina (MG), ao viver maritalmente com o desembargador João Fernandes, que assinou sua carta de alforria. Em alguns momentos do filme, cenas que lembram o Carnaval no século XVI.
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Foto: Divulgação
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| O diretor Fernando Spencer
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Pernambuco
Um realizador que merece atenção da crítica especializada é o pernambucano Fernando Spencer. Sua produção cinematográfica teve início em 1969, onze anos depois de ele ter começado a trabalhar como revisor no Diário de Pernambuco. Entre filmes e vídeos, alternou ficção e documentário.
Em 1974, "Caboclinhos do Recife", documentário em Super 8, em 10 minutos, foi o primeiro a retratar o Carnaval, tema recorrente na vida do autor. Ganhou prêmio de Melhor Filme do I Festival Brasileiro de Cinema de Curitiba (PR). Em 1975, Spencer produziu "O Teu Cabelo Não Nega", também em Super 8, também sobre Carnaval.
Outra obra importante na carreira do autor-diretor é "Capiba: ontem, hoje e sempre" (1984), abordando a vida do músico, considerado o maior compositor de frevo de Pernambuco. Quatro anos depois, "Trajetória do Frevo", obra em 35 mm, de 9 minutos de duração, contaria com ilustrações do desenhista Antônio Clériston e narração do poeta paraibano Jommard Muniz de Brito. A obra considerada "prima" de Spencer é "Os Irmãos Valença" (2003), documentário de 11 minutos, que retoma o tema do Carnaval, fazendo uma espécie de colagem com outras obras do autor.
No Rio
Neste mês, a cidade do Rio de Janeiro exibiu alguns documentários que falam sobre o Carnaval. Um preparativo para o clima na Marquês de Sapucaí. No último dia 18, "Sessão É Carnaval" começou com quatro documentários sobre carnaval, samba, pagode e batuque, protagonizados por personagens históricos do samba.
"Jorjão", de Paulo Tiefenthaler narrando a história dos principais mestres de bateria de escola de samba do Rio de janeiro como uma história de amor. "Babaú na Casa do Cachaça", de Luiz Guimarães Castro narra o encontro de dois velhos amigos: os sambistas Babaú da Mangueira e Carlos Cachaça.
Em "Batuque na Cozinha", de Anna Azevedo, conta um batuque das lembranças de três mulheres: Tia Eunice, Tia Doca e Tia Surica, as três "pastoras" da Escola de Samba Portela. Em "Jaqueirão do Zeca", de Denise Moraes e Ricardo Bravo, o cantor e compositor Zeca Pagodinho organiza uma grande roda de samba que não tem hora para acabar.
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Foto: Divulgação
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| Cena do filme Alô, Alô, Carnaval
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"Alô Alô Carnaval", de Adhemar Gonzaga e Wallace Downey Rodado no ano de 1936 nos estúdios da Cinédia, a história conta as dificuldades de dois produtores em custear a revista musical Banana da Terra. No elenco, nomes como Oscarito, Jorge Murad, Francisco Alvez, Dircinha e Linda Batista, Lamartine Babo, Almirante e Carmen Miranda.
"Carnaval Atlântida", de José Carlos Burle
Um dos maiores clássicos do gênero. Chega a ser um tratado do cinema da grande época dos estúdios nacionais. O enredo é sobre a tentativa de um produtor em montar no Brasil um épico grego e que acaba saindo um épico carnavalesco. O filme foi rodado em 1952 e conta no elenco com Oscarito, Blecaute, Nora Ney, José Lewgoy e outros. Um dos grandes nomes da chanchada nacional. O carnaval na nossa Hollywood.
"Banda de Ipanema", de Paulo Cezar Saraceni
A mais importante banda de música da cidade do Rio de Janeiro tem sua história, juntamente com a do bairro, retratada nesse longa-documentário de 86 minutos rodado em 2002. As construções se dão por meio de imagens antigas e depoimentos atuais de músicos e moradores do bairro. A banda foi fundada em 1965.
"Jorjão", de Paulo Tiefenthaler
As famosas paradinhas na bateria das escolas de samba e a influência do funk têm dono, o mestre de bateria Jorjão. A Mocidade Independente de Padre Miguel agradece a Jorjão. Registro com apenas 13 minutos, finalizado em 2002.
"Carne de Carnaval", Mayra Jucá
O carnaval de Olinda ganha registro por meio de declarações de moradores da cidade pernambucana. Rodado em 2002 e com 15 minutos de duração.
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