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Foto: Divulgação
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O compasso de Douglas Salomão pode ser o nada, um círculo, a fome cíclica da vida, a morte, tudo em movimento... "Zero", o seu livro de estréia em carreira solo literária, é um marco, como o próprio nome sugere. Um dos selecionados pela Secult para as publicações em 2006, Douglas comemora a sua nova aparição no mundo das letras.
É que, no ano passado, ele participou da antologia "Instantâneo", que reuniu vários poemas de autores capixabas. Em 2003, foi convidado a produzir um poema em "Corpo de Barro", livro de fotos de Luciana Hibner. Mas é "Zero" o iniciador do percurso que tornará o poeta mais conhecido.
Um misto de poeta e artista plástico interligado às leituras contemporâneas e pós-modernas. Visualmente, um amante da palavra que causa um sentido a mais. Professor de Artes Plásticas na rede privada de ensino, Douglas Salomão começou a integrar a Literatura na sua obra, mesclando gravura, desenho e pintura com poesia. Cada gênero com sua riqueza e com sua mensagem.
Jogar sempre
"O nome 'Zero' abre uma série de possibilidades de leitura. No sentido de zerar, você pode jogar sempre. O zero sempre esteve no limiar da existência", afirmou. Nomes como Arnaldo Antunes, Viviane Mosé, Cummings, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Luiz Saciloto, Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Décio Pignatari circulam pela formação do poeta.
Para Douglas, é justamente a idéia de circularidade está posta na mesa do seu "Zero". Tempo, corpo, sonho e tantos temas entrelaçados à imagem e provocando o imaginário do leitor.
Saiba mais!
Douglas Salomão é capixaba, formado em edificações pelo CEFETES, artista plástico e graduando em Letras-Português pela UFES. Como artista plástico desenvolveu intervenções artísticas e poéticas com o grupo performático Scem Real e participa, desde 1996, de exposições coletivas de arte, apresentando objetos que transitam entre as linguagens plástica e literária. Após participar de grupos de estudo - envolvendo psicanálise, arte, filosofia e literatura - coordenados por Viviane Mosé, sua produção vem ganhando um caráter cada vez mais literário. Atualmente, como poeta, desenvolve trabalhos ligados à música experimental (em parceria com Cons). [Apresentação do autor em "Instantâneo"]
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meus olhos olham para as coisas
sem minha permissão
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nervo se firma no osso
perna se solta no passo
abraço se aperta no braço
curiosidade estica o pescoço
sorriso se mostra nos dentes
cabelo se passa no pente
pele se encobre no corpo
pêlo cresce na pele
unha nasce do dedo
cabeça sustenta o cabelo
olhos se fecham para o sonho
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