Mata atlântica: proteção do espaço





Ubervalter Coimbra


A destruição da mata atlântica no Espírito Santo segue em marcha batida. A cada dia, interesses os mais escusos, oriundos dos mais diversos setores, levam à morte pedaços inteiros da vegetação nativa de um dos biomas mais ameaçados do planeta.

Embora pareça incrível, pela destruição no atacado, a mata atlântica no Espírito Santo ainda conserva a maior biodiversiade florestal do planeta, comprovada em pesquisa realizada na Reserva Biológica Santa Lúcia, em Santa Teresa, esta conservada não por coincidência, mas pela luta de Augusto Ruschi, que via o futuro.

É para proteção do pouco que resta - cerca de 7 a 8 % da área original - e para conter a sanha dos predadores, que vem em boa hora, cumprida a promessa da Gerência do Ibama, o aperfeiçoamento da fiscalização da mata atlântica, a partir do monitoramento com o emprego até de satélites espaciais.

Foi com o uso de satélite que o Ibama, no sul da Bahia, comprovou o que todo mundo sabe: que a Aracruz Celulose, que tem capital norueguês (naquela região, sócia da Stora Enso, sueco-finlandesa, na Veracel), impede ou dificulta regeneração natural de florestas de mata atlântica. Lá, provado, em 1.200 hectares. O emprego de alta tecnologia permitiu ao Ibama multar a Veracel em R$ 320 mil e enquadrar a empresa na Lei de Crimes Ambientais, de 1998.

No Espírito Santo, haverá complicadores no monitoramento da mata atlântica. A destruição é feita em pequenos fragmentos, e as vezes o crime é praticado de modo tão competente que escapa da fiscalização: as árvores vão caindo aos poucos, sendo, ainda de forma gradual, substituídas por capim. É o chamado bloqueio da mata.

Mas, se o sistema implantado for de altíssima resolutividade, como se espera, até mesmo a destruição dos pequenos fragmentos será constatada do espaço. E, se confirmado um esforço integrado, com o emprego de fiscalização transportada por helicóptero, e aproximação de efetivos em terra, a agressão poderá ser imediatamente contida e o agressor preso. Será um avanço considerável.

Um parênteses: se houver interesse do governo, como já se propôs neste espaço, em cada Departamento Policial Militar poderia ser treinado um efetivo mínimo para pronta atuação na área ambiental...O trabalho seria complementado depois pela Polícia Ambiental.

O que se espera, ainda neste esforço de proteção da mata atlântica, é sincronia do Ministério Público, ao requerer, e da Justiça, ao determinar, para punição aos criminosos ambientais.

Pois do que resta de mata nativa, o Espírito Santo perdeu 1,19% entre 1995 e 2000.

Entre os efeitos mais notórios da destruição da vegetação nativa a curto prazo está na perda de recursos hídricos: sem vegetação, a água da chuva não se infiltra na terra. Destrói nas enchentes, e acaba durante grande parte do ano.

Passa da hora de conter a devastação da mata atlântica no Espírito Santo, como no Brasil.

Que não tarde a aplicação da medida prometida!