Vitória (ES), edição de 05 de janeiro de 2006

Antônio Denadai espera que o mandante
da morte de seu irmão seja preso



Anderson Cacilhas
Foto capa: Bernardo Coutinho


"Não basta apenas que o executor esteja preso. Espero que o mandante do crime também seja detido. Não entendo por que até agora isso não ocorreu". Esta foi a reação do vereador de Vitória Antônio Denadai (PL/foto), irmão do advogado assassinado Marcelo Denadai, diante da notícia de que o pedido de hábeas-corpus do acusado de ser executor do crime havia sido negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF negou pedido de hábeas-corpus ao policial militar Dalberto Antunes Pereira, acusado de participação na morte do advogado Joaquim Marcelo Denadai. A negativa do pedido pode não ser um mau negócio para o acusado, uma vez que quatro envolvidos no caso da morte do advogado já foram assassinados. O vereador Denadai vê com bons olhos a decisão da Justiça, mas espera que Sebastião Pagotto, indiciado pela Polícia Federal como mandante do crime, também seja preso.

Entre os envolvidos no crime que já morreram estão o comerciante Leonardo Maciel Amorim; o ex-tenente da PM Paulo Jorge dos Santos Ferreira; o comerciante Eduardo Victor Vieira e o mecânico Carlos Alberto Almeida.

O pedido de liberdade feito pela defesa de Dalberto Pereira foi negado pela ministra Ellen Gracie, que indeferiu liminar para revogação da prisão preventiva. O policial continuará preso no Quartel da PM em Maruípe, Vitória, até ser julgado.

Além de Dalberto Antunes Pereira, foram indiciados pela Polícia Federal a sua esposa, a major da PM Fabrízia Gomes da Cunha, o empresário Leandro Scardua Mageski e o empresário Sebastião de Souza Pagotto, apontado como mandante do crime. Pagotto foi recentemente contratado pela prefeitura de Vitória para fazer limpeza de fossas e galerias da Capital.

O advogado Marcelo Denadai foi morto em Vila Velha, em abril de 2002, às vésperas de denunciar um esquema de fraudes em licitações em diversas prefeituras no Espírito Santo. Pagotto estaria entre os denunciados e por isso teria encomendado o homicídio. O policial é acusado de ser o executor de Denadai e foi preso quatro dias após o crime, a pedido do Ministério Público.

No pedido de hábeas-corpus, a defesa argumenta que o seu cliente estaria sofrendo constrangimento, pois o policial está preso há 1.320 dias sem julgamento.

Ao negar o pedido da defesa, a ministra Ellen Graice apontou como fundamentação da decisão a ausência do inteiro teor da decisão judicial que determinou a prisão preventiva, o que impede a análise aprofundada do caso.