Tecnologias de última geração, como os satélites espaciais, serão empregadas na fiscalização da mata atlântica no Espírito Santo. Desta forma, desmatamentos e queimadas, entre outras agressões, poderão ser flagradas tão logo comecem, permitindo a imediata intervenção da fiscalização. Na Bahia, o sistema permitiu o flagrante da destruição de 1200 hectares de mata nativa.
A informação sobre a implantação de um novo sistema de monitoramento e fiscalização da mata atlântica é do gerente do Ibama no Espírito Santo, Ricardo Vereza Lodi. Ele assinalou que os gerentes do Ibama da área reivindicaram à Diretoria de Proteção Ambiental do órgão, o aperfeiçoamento da vigilância do bioma. A partir daí foi definido que o sistema usado na fiscalização da Amazônia será usado para proteção da mata atlântica.
O projeto de monitoramento e fiscalização da mata atlântica no Espírito Santo será discutido por um grupo de trabalho, que será constituído ainda em janeiro, segundo Ricardo Vereza. Reunirá todos os órgãos com responsabilidade na área ambiental, como a Polícia Ambiental e a Delegacia especializada em Meio Ambiente da Polícia Civil, o Ministério Público Federal e o Estadual, o Iema e prefeituras.
O Estado contará ainda com uma Câmara Técnica da Mata Atlântica.
Voluntários da sociedade civil também participarão do projeto e poderão atuar na fiscalização. As informações serão compartilhadas e as ações poderão ser desenvolvidas em tempo real. Se houver interesse e efetiva participação dos órgãos, um desmatamento apontado por satélite poderá, por exemplo, ser coibido por uma equipe deslocada por via aérea ou que esteja mais próxima, em terra.
Ricardo Vereza destaca como uma das dificuldades no processo de fiscalização o fato de os desmates serem realizados em pequenas áreas. Há um outro complicador: os agressores costumam destruir a vegetação de forma gradual, com plantio de capim nas áreas brocadas. Desta forma a vegetação nativa vai sendo destruída aos poucos.
O gerente do Ibama informou que o sistema, já empregado no sul da Bahia, permitiu o flagrante aplicado pela gerência do órgão na região na Veracel. Esta empresa, da Aracruz Celulose, que tem capital norueguês, e Stora Enso, sueco-finlandesa, foi multada em R$ 320 mil e enquadrada na Lei de Crimes Ambientais, de 1998, "por impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas de mata atlântica em 1.200 hectares".
No Espírito Santo restam apenas cerca de 7% da mata atlântica. O Estado perdeu 1,19% de sua vegetação nativa entre 1995 a 2000, e a devastação continua intensa.
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