A construção civil é o carro-chefe do crescimento econômico do Estado, resumiu o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintraconst). O setor deu um salto impressionante quando comparados os biênios 2002/2003 e 2004/2005, de acordo com a entidade: cresceu de 18 mil postos de trabalho para 50 mil. Porém, há um dado agravante: 80% da mão-de-obra vêm de fora do Estado.
Dos cerca de 50 mil empregos, segundo o Sintraconst, 20 mil são de terceirizadas concentradas nas grandes industrias. Os outros 30 mil estão divididos entre montagem e edificações, principalmente na Grande Vitória.
"Infelizmente a falta de qualificação da mão-de-obra local é o grande reflexo disso. A sintonia entre os governos federal e estadual ajudou muito para que tivéssemos esse 'boom' no nível de empregos no período", avaliou o diretor financeiro do Sintraconst, Adelson Pereira Rosa.
A falta de mão-de-obra qualificada está inclusive causando defasagem em postos específicos como os de carpinteiro industrial e armador, apontou o diretor. Realidade complemente inversa ao cenário 2002/2003, quando 15% dos profissionais no Estado estavam desempregados.
Quanto à geração de empregos, um dos exemplos é a articulação entre o Estado e o governo Lula para realização de obras industrias ligadas à Petrobras. A realização de obras em bacias de exploração na região norte, junto com a construção da plataforma P-34, foi responsável pela geração de aproximadamente 15 mil postos de trabalho - esta obra esta prevista para ser entregue em meados deste ano.
"Para este ano o setor deve gerar mais 10 mil empregos com a construção do estaleiro, em Aracruz", lembrou o sindicalista. A obra está prevista para começar em meados de 2006, serão investidos R$ 500 milhões. Pelo menos 25% desse total serão investidos já na primeira fase do projeto.
Escassez de benefícios
A falta de benefícios e ganho real de salários, além da perpetuante política de terceirização da mão-de-obra por empresas de passagem, continuam assombrando os trabalhadores.
"Conseguimos um reajuste de 9% dos salários, que não é lá tão satisfatório para a categoria, mais a cesta básica no valor de R$ 40,00. Neste ano nós vamos nos concentrar em benefícios como seguro de vida e plano de saúde", adiantou Adelso Pereira.
Os trabalhadores em construção civil, em áreas de terraplanagem e edificações ganham em média R$ 600,00, enquanto o pessoal da montagem industrial recebe em média R$ 900,00.
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