Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Ela respira política, dizem os colegas
'Vamos ter um eleitorado
mais exigente este ano'





Cristina Moura


"Um grama de ação vale uma tonelada de teoria."
(Friedrich Engels)


Somente de carreira política ela registra cinco mandatos. Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre eles. A deputada estadual Luzia Toledo, recentemente nos quadros do PTB, aposta na sua reeleição. Diz que foi para o partido por uma necessidade, para sentir mais espaço e para relembrar a sua história de vida.

Durante a gestação da mudança, ela garante que foi convidada por todos os partidos, exceto PSB, PT e PSOL. Acredita que o governador Paulo Hartung seja candidato à reeleição, mas não descarta a idéia de que o chefe do Executivo estadual esteja realmente pensando no Senado.

Luzia parece respirar política. Alguns colegas de Assembléia até dizem o mesmo, alguns acrescentando características como ousadia, perspicácia ou esperteza. Ou seja, ela costuma não errar. Confira, então, o que a deputada confabula para as eleições deste ano, tão atípicas. Para federal, o apoio de Luzia será dividido entre pelo menos quatro nomes.

Século Diário: - Eleições 2006. Estamos no início do ano. Como a senhora está percebendo o clima eleitoral até o momento?

  
Foto: Bernardo Coutinho
  
Luzia: - Olha, as eleições 2006 estão na mídia. É um assunto que vem à tona em sua plenitude mesmo, ainda mais este ano com a Copa. Nós só vamos ter uma discussão mais aprofundada dentro desse assunto a partir de junho, que aflora mais. Mas as eleições de 2006 serão marcadas, serão atípicas porque, com todas essas denúncias, uma após a outra, enfim... Essas denúncias tomaram conta do Brasil. Elas começaram no Planalto, uma coisa, assim, muito triste. A gente vê um campo minado. Hoje todos os partidos se tornaram literalmente iguais, num tempo em que o PT era uma referência de ética, de comportamento compromissado com o povo... e é o que a gente espera de todos os políticos e todos os partidos e, na verdade, o que aconteceu no Brasil foi que um partido que se dizia o dono da verdade, o dono da ética, o dono da moralidade... Quer dizer, esse foi um partido que foi desnudado, não só em nível nacional, mas internacional também. Com isso, eu acho que o povo brasileiro está olhando as eleições 2006 com muito mais atenção. E eu fico triste ao ver as declarações que eu venho lendo. Os articulistas políticos brasileiros, sem exceção, colocam isso de uma forma muito séria. Há uma reflexão muito forte por causa da mídia, que desvendou isso tudo. Isso também é um crescimento, ao mesmo tempo é um crescimento porque o povo brasileiro passou a tomar conhecimento de tudo. Em qualquer parte da sociedade, da classe A à classe E, eles estão sabendo o que está acontecendo. Eu espero que em 2006 essas eleições sejam marcadas pela ética, pela seriedade, pelo compromisso verdadeiro com o povo. Que esse povo também saiba escolher os candidatos, saiba escolher em quem votar. Ontem (dia 5), por exemplo, foi meu aniversário. Eu pedi a muitas pessoas que vieram à minha casa que fiscalizem. Eu quero ser fiscalizada, eu quero que as pessoas me digam que eu estou indo bem, se não estou indo bem, o que é que eu estou fazendo, sugestões. Eu quero que o povo participe num mandato que não é meu. O mandato é do povo. Eu estou ali porque o povo quis. Então, o povo tem que me fiscalizar. Mas eu sempre agi dessa forma. Bom, no cenário nacional, eu acredito que Lula será candidato à reeleição. Acho que tudo o que ele está fazendo, tudo o que ele está colocando é mis-en-scene. Na hora ele vai ser candidato. Acho que ele tem um apelo muito forte, apesar de o governo dele estar marcado pela corrupção, estar marcado pelo desrespeito ao povo brasileiro, pela falta de ética, falta de seriedade, enfim... Mas ele tem uma história muito forte e, portanto, ele ainda tem um apelo forte também. Eu acho que ele vem para a reeleição, mas acho que o PSDB é um dos partidos onde as figuras... Hoje, as figuras políticas brasileiras que estão no PSDB têm muita história. E, portanto, eu acho que o PSDB está se preparando, de uma forma muito competente, para participar desse processo nessas eleições que virão aí.

- A senhora falou do cenário nacional. E o estadual?

- No cenário estadual, nós temos uma situação, hoje, que é a candidatura do governador Paulo Hartung. Se ele vier pela reeleição, eu acredito num trabalho que vem sendo feito no Estado inteiro, um trabalho sério. De um modo geral, todos os prefeitos, a maioria deles está comprometida com ele, principalmente por causa do respeito que foi estabelecido entre o Executivo estadual e os executivos municipais. Isso é muito importante. Não há nenhum município do Espírito Santo que não tenha obras feitas pelo governo estadual. Portanto, essa parceria é uma parceria muito forte. Isso, em tendo sido muito forte, claro que ele vai ter o apoio desses prefeitos todos e, portanto, eu acho que, se ele vier pela reeleição, ele terá uma eleição tranqüila para mais quatro anos. Se ele não vier para o governo, se ele não vier para a reeleição, ele terá uma eleição tranqüila para o Senado. Ele é um político nacional. Eu tenho impressão que, pelo sentimento dele, ele gostaria de voltar para o Senado, mas nós temos aí outras candidaturas e as outras candidaturas estão colocando a 'cabeça de fora', mas, na verdade, estão esperando para ver como vai ser a posição do governador Paulo Hartung. Nós temos o Vidigal (PDT), que tem visitado muito o interior. O Vidigal era conhecido só na grande Grande Vitória, mas como presidente do partido ele começou a visitar toda a base, todos os municípios e ele é muito bem recebido em todos os lugares que ele vai... Até pelo jeito dele... médico... simples... Ele está chegando bem, mas a candidatura dele, na minha visão, passa necessariamente pelo que o governador vai decidir, se ele vai sair para a reeleição, se ele vai sair para o Senado, enfim...

- Outro nome a senhora arriscaria pela oposição?

- Na verdade, pela oposição, os nomes já estão todos colocados. O senador Magno Malta, que está aí se colocando, ensaiando uma candidatura... Eu acho que ele é uma figura muito forte, teve uma boa votação, é o campeão de votos no Senado. Ele teve uma votação muito grande e tem aí um formato de fazer política muito diferenciado. Ele é uma pessoa imprevisível. Como no ditado popular, 'ele está com o burro na sombra' porque ele é senador, hoje está num destaque muito grande porque está numa CPI muito forte, e está ensaiando. Mas eu considero que a oposição esteja toda junta. Magno Malta, Sérgio Vidigal, os Mauro... todos eles estão juntos na oposição. Então, daí vai sair uma candidatura, mas também eu continuo achando que depende muito do que o governador vai decidir na última hora, se vai para o Senado ou se vai para o governo.

  
Foto: Bernardo Coutinho
  
- No Poder Legislativo a senhora acredita numa renovação este ano?

- Acredito. Acho que a Assembléia Legislativa, todos nós políticos, infelizmente, somos hoje um segmento da sociedade que está sendo passado a limpo. Todos nós, não tem exceção porque o povo não faz muito essa diferenciação não. Este é meu quinto mandato. Fui vereadora por dois mandatos, fui vice-prefeita de Vitória, fui senadora por quase dois anos, e agora sou deputada estadual... Estou no meu quinto mandato eletivo e claro que eu tenho uma parte da sociedade que acompanha o meu mandato e sabe que eu sou compromissada com ações para a sociedade. Mas, mesmo assim, nós, os políticos de um modo geral, estamos sendo muito avaliados. Eu acho muito bom esse comportamento porque mostra um povo mais ativado, um povo mais participativo, um povo mais responsável... Então, isso é muito bom. Por outro lado, ele vai querer coisa nova, ele vai querer gente nova, ele está procurando acreditar, ele quer ter esperança. Esses últimos passos, tanto em nível nacional quanto no Estado do Espírito Santo, claro, isso deixou o segmento político muito vulnerável.