Jornalismo canhestro




Uma linha tênue separa o jornalismo, em seu sentido mais puro e abrangente, do jornalismo exercido com mesquinhez e meias verdades - ao qual se pode dar o nome de jornalismo canhestro (medroso, ressentido, desastrado).

Este tipo de jornalismo encontra-se estampado na capa do segundo caderno de "A Gazeta", edição desta terça-feira (10), em matéria assinada pela repórter Adriana Bravin alusiva ao 15º aniversário da Lei Rubem Braga, o mais perfeito e bem acabado dispositivo legal de incentivo à cultura capixaba e que hoje é referência nacional.

O texto omite, de forma mal dissimulada, a gestão administrativa sob a qual se criou, fez-se aprovar e sancionar a Lei Rubem Braga (LRB), de número 3.730 (gestão Vitor Buaiz na prefeitura de Vitória).

No geral, é uma matéria ruim - pobre de informações, mal ilustrada e mal escrita. Limita-se a reproduzir depoimentos de alguns benefíciários da lei de incentivos e listar alguns dos projetos que fizeram jus ao incentivo.

Sem jeito de dizer por que não informava a gestão sob a qual a lei fora criada, o que seria sua obrigação, a repórter foi buscar entre os depoentes quem se dispusesse a dar por ela tal explicação.

Encontrou parceria na dramaturga Vera Viana, que, sem mais nem menos, sapecou na cara do leitor esta declaração: "A lei Rubem Braga contribuiu muito para a produção cultural em Vitória. Ninguém é pai nem mãe DA LRB. Ela foi criada pelo desejo dos artistas de Vitória".

Não sabemos se dona Vera já viveu o feliz momento da maternidade. Mas, mesmo que não o tenha vivenciado pessoalmente, deve saber que filhos não nascem de simples desejos. É preciso levar esse desejo ao ato físico do amor.

E o ato de amor que gerou a lei foi protagonizado por um dos melhores prefeitos que Vitória já teve, se não o melhor deles. O jornal não precisava entrar nesse detalhe sobre a qualidade da gestão Vitor Buaiz na PMV. Nós só o fazemos para deixar bem claro que houve omissão proposital do jornal em torno da autoria de um ato oficial de grande alcance político e social. E que o autor desse ato sofre discriminação odiosa do mais influente veículo de informação do Estado, apesar de sua comprovada e reconhecida competência na gestão dos negócios da Capital.

Se a direção do jornal acha que fez bonito, dando seqüência a uma política mesquinha e provinciana de praticar o jornalismo, labora em grave erro. Vitor Buaiz deixou a política, entrou para a História e voltou a exercer a profissão de médico. Não precisa de loas.

Mas foi injustiçado. Assim como o leitor foi lesado em seu direito democrático de livre acesso à informação. Ao ex-prefeito e ao público leitor de "A Gazeta", dirigimos, em nome do jornalismo honesto, nosso pedido de compreensão e tolerância.