Depois de 25 anos poluindo o ar da Grande Vitória, a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), agora do grupo francês Arcelor Brasil, finalmente apresentou ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) projeto para tratar os gases derivados de enxofre que lança dia e noite na atmosfera, afetando a saúde de mais da metade absoluta da população da região.
A iniciativa, obviamente, não é da empresa. Faz parte de suas obrigações enumeradas durante processo de licenciamento de sua expansão, em junho de 2004, conforme determinação do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema).
Ao todo, a empresa terá que cumprir 59 condicionantes. Entre elas, a implantação de unidades de dessulfuração nas suas usinas antigas I e II de Carapina, em operação desde a década de 80, uma reivindicação antiga de ambientalistas, e jamais atendida pela CST.
Sem tais equipamentos, a empresa economizou cerca de R$ 130 milhões ao longo desses anos, à custa do bem-estar dos capixabas. Em contrapartida, o elevado custo para a população para tratamento das doenças que os poluentes provocam é de R$ 50 milhões anuais.
Ao pedir licença para instalação de novas fábricas, a empresa ameaçava aumentar ainda mais a poluição na Grande Vitória. Mas graças à intensa e longa luta da sociedade civil, que se mobilizou para cobrar o fim do passivo ambiental da CST, a empresa agora terá que tratar seus gases.
Mesmo que tardiamente, a medida é válida, já que pela primeira vez a empresa será enquadrada na lei, em respeito à população e ao meio ambiente.
Durante todo esse tempo, sobre os moradores vêm sendo lançados poluentes, tanto particulados como gasosos, todos altamente nocivos e que causam doenças respiratórias, alérgicas, que causam alguns tipos de câncer, e deprimem as defesas do organismo às doenças. Poluem também o ar da região a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Belgo Mineira, esta também do Grupo Arcelor.
Agora, cabe ao Iema avaliar cuidadosamente o teor do projeto apresentado, como também acompanhar sua implantação e execução, cobrando da empresa o cumprimento dos critérios estabelecidos pelo Consema, com rigor.
E não só no que se refere a esta questão, mas em todas as outras condicionantes impostas, que tratam ainda do monitoramento da qualidade do ar da Grande Vitória e da apresentação de um plano de estudo epidemiológico sobre o impacto da contaminação atmosférica sobre a saúde dos moradores, dentre outras.
O Estado esteve durante todos esses anos omisso nesse processo. Portanto, é hora de mostrar serviço.
É o que esperamos, avidamente.
Chega de poluição!
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