Um projeto de manejo da agrobiodiversidade promovido pelo Movimento Sem Terra (MST) no Espírito Santo deverá - até o final de fevereiro - receber R$ 250 mil do Ministério do Meio Ambiente (MMA), para plantar sementes crioulas e promover o manejo de animais no Centro de Formação Maria Olinda, em São Mateus, norte do Estado.
O projeto é apoiado pelo Instituto Capixaba de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Espírito Santo, e beneficiará dez assentamentos de São Mateus, Conceição da Barra e Pedro Canário. Diretamente serão beneficiadas ainda 40 famílias e, indiretamente, centenas de sem terras poderão contar com as oficinas e capacitações técnicas que serão promovidas a partir do manejo da agrobiodiversidade.
A idéia, segundo o técnico e engenheiro agrônomo Roberto Toshio, do MST, é plantar desde milho, feijão e mandioca, até leguminosas que servem de material orgânico, ou também o chamado de adubação verde, que melhora o solo.
"Queremos promover o manejo saudável, além de incentivar a recuperação das nascentes da região. Além do alimento plantaremos ainda espécies da mata atlântica como a boleira, o jacarandá e o jequitibá", disse Roberto.
A ação auxiliará na preservação da variedade de sementes crioulas como espécies tradicionais. Estas são normalmente cultivadas por agricultores familiares, comunidades indígenas e quilombolas.
Segundo Roberto, as espécies modificadas ainda serão estudadas por coordenadores e técnicos dos Centros Irradiadores do Manejo da Agrobiodiversidade (Cimas), que é promovido em nove estados do País. São eles: Goiás, Maranhão, Espírito Santo, Alagoas, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo.
Os Cimas foram criados a partir de propostas da comunidade. Entre suas atividades estão o resgate de sementes mantidas pelos agricultores, incentivo às técnicas de agrobiologia que não utilizam agrotóxicos, capacitação e formação de agentes comunitários.
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Sementes crioulas
A semente crioula atende a um dos princípios básicos da agroecologia, que é o de desenvolver plantas nativas adaptadas às condições locais da propriedade, capazes de tolerar variações ambientais e ataque de organismos prejudiciais.
Outro aspecto importante é a maior autonomia do agricultor, que pode coletar as sementes destas variedades e replantá-las no ano seguinte, adquirindo maior independência do mercado de insumos e gerando um material que com toda sua variabilidade genética se torna cada vez mais vigoroso e adaptado ao seu tipo de solo e clima.
Em alguns países da América Latina, proteger a semente crioula é uma atividade quase mística, onde geralmente a mulher tem um papel fundamental.
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