O grupo francês Arcelor Brasil apresentou ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) projeto para tratamento dos gases derivados do enxofre emitidos por suas usinas I e II de Carapina (antiga CST). Tais gases, lançados no ar initerruptamente ao longo de 25 anos, causaram doenças que custaram à população R$ 1.250.000.000,00, até o ano passado.
A afirmação de que a Arcelor Brasil protocolou o projeto na última sexta-feira (6) é da Assessoria de Comunicação do Iema, que não deu detalhes sobre o que propõe a empresa. O prazo final para apresentação do projeto, detalhando como os gases serão tratados e indicando o cronograma para implementação do projeto, vencia nesta segunda-feira (9), segundo condicionante à então CST para licenciar sua terceira usina em Carapina.
O custo de uma usina de dessulfuração para as duas unidades antigas da Arcelor Brasil é estimado em cerca de R$ 130 milhões. Sua construção foi sempre adiada por favores dos governos do Estado à empresa, mesmo com o elevado custo para a população para tratamento das doenças que os poluentes provocam, cerca de R$ 50 milhões anuais.
Até 2003, cálculos apresentados pelo Conselho Estadual de Saúde (CES) apontavam que o passivo histórico acumulado pela Arcelor Brasil nos seus 23 anos de instalação era de R$ 1.150.000.000,00. A Arcelor (CST) responde por 15 a 20% dos poluentes lançados no ar na Grande Vitória, e a Arcelor (Belgo), de 5-8% das 264 toneladas/dia de poluentes, 96.360 toneladas/ano de poluentes emitidos na região.
Em termos de custo, até 2003, a Arcelor Brasil (Belgo) também exigiu elevado investimento da população e do governo para tratamento de saúde: R$ 378.000,00. E a CVRD, poluindo o ar na Grande Vitória por 33 anos, custou R$ 2.145.000.000,00 aos bolsos dos capixabas até 2003. A CVRD responde por 20-25% dos poluentes do ar na região, ainda segundo pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
As denúncias que apontavam o aumento da poluição do ar com a instalação da 3ª usina da então CST, na prática obrigaram o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) a incluir a exigência da instalação de uma usina de dessulfuração para as fábricas I e II da empresa. A campanha exigindo a instalação da usina de dessulfuração é conduzida há décadas pela Associação Capixaba de Proteção ao Meio Ambiente (Acapema), a mais antiga ONG ambiental do Estado.
A 3ª usina da Arcelor Brasil, que está em fase final de construção em Carapina, permitirá à empresa elevar sua produção de 5 milhões de toneladas anuais, para 7,5 milhões de toneladas por ano de placas e bobinas de aço (a nova planta tem capacidade de produzir até 8,4 milhões de toneladas por ano). A Arcelor Brasil também aumentou a produção da unidade Cariacica (Belgo) de 300 mil toneladas para 620 mil toneladas/ano.
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(reportagem publicada em 15/06/2004)
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