Vitória (ES), edição de 11 de janeiro de 2006

Assassinato de Edgard na estaca zero:
delegado critica falta de policiais



Stephanie Oliveira
Foto capa: Arquivo Século Diário


"O governo precisa entender a necessidade de contratar mais policiais. Eu, por exemplo, estou tomando conta das delegacias de Conceição da Barra, Pinheiros, São Mateus e outras". Palavras do delegado substituto de Conceição da Barra, Antonio Sérgio Nogueira. Dois meses depois da morte do pacifista Edgard França Cabral Filho (foto), a polícia ainda não apontou nenhum suspeito do assassinato.

O delegado critica a falta de efetivo policial. "As investigações realmente acabam ficando prejudicadas. Em São Mateus, nós temos 10 policias e oito estão tomando conta de presos. Policial não é para tomar conta de preso", disse Antônio Nogueira.

O responsável pelo DPJ de Conceição da Barra é o delegado Paulo Roberto Amaral, que está de férias. Ele também comanda mais de uma delegacia. O DPJ de Pinheiros também faz parte de suas atribuições.

Antonio Sérgio Nogueira nada soube informar sobre o caso Edgar Cabral. Ele pediu que a reportagem entrasse em contato com a escrivã do DPJ de Conceição da Barra, Ana Glória, que, por sua vez, também admitiu que o excesso de distritos sob a responsabilidade de um mesmo delegado acaba prejudicando as investigações.

Os familiares do pacifista Edgard Cabral também não têm nenhuma informação sobre o caso. Segundo uma das filhas dele, Melissa Cabral, a única informação é a de que as investigações seguem sob sigilo.

Melissa já havia denunciado que não entende o porquê da demora em chamar as pessoas para depor. "Fiquei frustrada quando fui pela última vez na Barra dar meu depoimento", disse ela ao afirmar que teve que ligar para o delegado para conseguir falar sobre o caso.

Ainda de acordo com Melissa, o caseiro e uma empregada doméstica, que trabalham no sítio há mais de 10 anos, só foram ouvidos duas semanas após o crime. Eles também estão estarrecidos com os rumos das investigações, pois, dizem, até o arame utilizado pelos assassinos para prender o portão ainda estaria jogado no mesmo lugar, fato que demonstra a ausência total de perícia no local. Perguntas evasivas e questionamentos sem importância também fazem parte dos métodos utilizados na investigação.

Um sargento da Polícia Militar de Conceição da Barra também sustenta a tese de que o crime já caiu no esquecimento. "Na minha opinião, o crime já caiu no esquecimento. Ninguém mais ouve falar sobre o caso na cidade. As pessoas têm memória curta", disse o sargento da PM Júnior, quando questionado sobre o andamento das investigações.

O caso

Edgard Cabral Filho, de 63 anos, aposentado da Companhia Vale do Rio Doce e ex-colunista do Século Diário, foi morto no dia 12 de novembro de 2005 ao tentar entrar em seu sítio, em Conceição da Barra. Ele, que era muito conhecido por suas atitudes pacifistas, foi emboscado quando tentava acionar o controle remoto da porteira eletrônica, a qual fora amarrada de propósito para que o homicídio fosse cometido. O caseiro do sítio disse que ouviu três disparos e chamou a Polícia Militar, que encontrou o corpo da vítima por volta das 3 horas da madrugada. Edgard levou três tiros na cabeça e morreu no local.

Leia mais:
  • Até a polícia acredita que morte de pacifista já caiu no esquecimento
    (reportagem publicada em 06/12/2005)