Com o retorno da Assembléia aos trabalhos, volta a expectativa em torno do relatório do deputado Euclério Sampaio (PDT) na CPI do Grampo. Os trabalhos da comissão ficaram paralisados durante o recesso de 15 dias da Casa, mas os membros da CPI garantem que já têm informações importantes sobre o caso. Euclério, porém, não adianta nenhum detalhe do relatório.
Os deputados membros da comissão pretendem ainda ouvir o ex-secretário de Segurança do Estado Rodney Rocha Miranda e o secretário-chefe de Gabinete, Sebastião Barbosa. Este pode marcar dia e local para ser ouvido.
A CPI, que foi criada com o objetivo de apurar a existência de escutas irregulares e a operação de aparelhos clandestinos que interceptam ligações telefônicas no Estado, seguia caminhos não tão claros quando foi surpreendida com o escândalo do grampo nos telefones da Rede Gazeta de Comunicações.
O grampo na central telefônica da Gazeta foi pedido em 22 de março de 2005 pela chefe do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas (Nuroc), delegada Fabiana Maioral, ao juiz da 4ª Vara Criminal de Vila Velha, Sérgio Ricardo de Souza.
Com a denúncia, a CPI voltou-se para as interceptações feitas por empresas de telefonia a pedido da Justiça capixaba e de outros estados. As ligações eram desviadas para um aparelho da Secretaria de Segurança que gravava as conversas telefônicas.
Para Euclério, os depoimentos tomados dias antes do recesso foram esclarecedores. Tanto pela contradição da polícia sobre a determinação do grampo, quanto pela negativa dos técnicos das operadoras de indicar responsáveis pelo engano.
Os deputados membros da CPI chegaram a fazer diligências baseados no depoimentos de policiais e pessoas ligadas ao trabalho de escutas, comprovando a existência e funcionamento do aparelho Guardião.
Para o vice-presidente da comissão, deputado Cabo Élson (PDT), o escândalo na Rede Gazeta não é um caso isolando e a CPI vai mostrar isso quando apresentar seu relatório. O deputado afirma que o documento será encaminhado à Justiça e aos ministérios públicos Estadual e Federal para que uma investigação seja iniciada.
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