A proposta do governo federal para a adoção de uma série de medidas que possam evitar aumentos periódicos de tarifas do transporte coletivo não vai ter qualquer influência na questão específica dos ônibus do sistema Transcol. A Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) não descarta um aumento nas tarifas em curto prazo.
O diretor-presidente da Ceturb-GV, Marcelo Ferraz, afirmou que existem motivos capazes de justificar o aumento. Um deles seria o fato de a passagem não ser reajustada há um ano. Em meio às incertezas que cercam o provável aumento tarifário do Transcol, o Ministério das Cidades quer implantar, a partir de fevereiro, em parceria com as prefeituras, um projeto para redução da tarifa.
Segundo o secretário nacional de Transportes e Mobilidade Urbana do Ministério, José Carlos Xavier, a proposta é fazer com que o governos municipais invistam no transporte urbano e busquem investimentos para o setor.
Xavier acrescentou que o governo federal apoiará os municípios com recursos orçamentários para investimento em infra-estrutura, por meio do Programa de Mobilidade Urbana (Promob). Ele disse ainda que o programa deve ter seus recursos ampliados para 2006. O Ministério das Cidades também pretende encaminhar até março ao Congresso o anteprojeto da Lei de Mobilidade Urbana, que procura propor as diretrizes para o transporte público em todo o País, visando à sua integração e organização.
Independentemente das ações federais, a tarifa do Transcol será definida após a reunião do Conselho Tarifário da Grande Vitória (Cotar), marcada para o fim deste mês. Ou seja, o aumento pode acontecer. Mas há grandes possibilidades de haver protestos, como ocorreu no ano passado.
Natália Amâncio da Silva, vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), acredita que a tarifa vai aumentar após a reunião do Cotar. Ela espera, porém, que haja melhorias no transporte e pergunta se não seria injusto a passagem aumentar de preço sem que ocorra, por exemplo, a redução da superlotação dos coletivos. Mas, se a tarifa aumentar sem melhorar a situação, a representante da UNE garantiu que as manifestações estudantis tomarão conta das ruas.
Outra entidade estudantil que ainda vai decidir o que fazer é o Diretório Central dos Estudantes da Ufes (DCE). Segundo o diretor de organização, Rodrigo Vaccari, o DCE terá uma reunião nas próximas semanas para tomar decisões. Vaccari adiantou também que será difícil mobilizar os estudantes para fazer protestos, caso o reajuste aconteça, em virtude das férias universitárias. No entanto, o diretório não deixaria de reunir os manifestantes. Ele contestou o fato de o aumento ocorrer nesta época do ano, fora do calendário letivo.
No ano passado houve a Ceturb-GV decidiu aumentar a tarifa, em julho. Mas, devido às manifestações estudantis, o governo recuou e cancelou o reajuste da tarifa. Houve confronto de estudantes com a Tropa de Choque da Polícia Militar. Manifestantes liberaram o pedágio da Terceira Ponte e só pararam os protestos quando foi anunciado que a passagem voltaria ao antigo preço.
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