A denúncia de que os hospitais da Grande Vitória só atendem após terem certeza antecipada de recebimento foi comprovada na madrugada da última quinta-feira (12), quando um empresário baleado em Laranjeiras, na Serra, deixou de ser atendido no Hospital Metropolitano. Para os familiares da vítima, o hospital negou socorro ao paciente ao conhecer o seu plano de saúde.
O empresário C.D.R é cliente do plano Unimed Fácil e foi encaminhado ao Metropolitano por vizinhos que o socorreram após ele ter sido baleado com quatro tiros. De acordo com A.D.A., mãe do rapaz, que o levou ao hospital, o estabelecimento foi escolhido pela proximidade.
"Nós chegamos com ele ao hospital e ele foi colocado em cima de uma maca. Os funcionários do hospital logo pediram os documentos e o empresário entregou também a carteirinha do plano Unimed Fácil. Eles já tinham até colocado o soro nele, mas quando viram o tipo de plano, avisaram que o hospital não cobria aquele tipo de seguro", explicou a vizinha.
Segundo A.D.A., ela e filho ficaram estarrecidos com a situação e denunciaram também que o próprio hospital indicou que o levassem para o Hospital Dório Silva devido à gravidade dos ferimentos "Os funcionários disseram para levá-lo ao Dório Silva, porque o caso dele era muito grave, mas eles não possuíam nenhuma ambulância para continuar o socorro até o hospital, e nem entraram em contato com o outro hospital para mandarem a ambulância", denunciou.
Revoltados, os vizinhos do empresário o retiraram da maca e o levaram em carro próprio para o Dório Silva. Ao chegarem ao hospital, segundo informações dos socorristas, os médicos do plantão disseram que o estado do empresário era muito grave. "Os médicos avisaram que se demorasse mais meia hora ele provavelmente não iria resistir aos ferimentos. Isso é um absurdo. Nós temos consciência que todo hospital tem obrigação de prestar atendimento. O que houve foi omissão. Eles só atendem depois de saber se a pessoa tem dinheiro", afirmou a vizinha.
Coincidência ou não, o fato é que aquele hospital teve que comparecer no último dia 10 ao Procon/ES para explicar denúncias de cobrança de cheque caução. A reportagem deste Século Diário denunciou tal prática em matéria publicada no dia 27 de dezembro de 2005. Um dia depois, o secretário executivo do Procon enviou notificação aos cinco hospitais citados na denúncia.
No caso específico do Metropolitano, a reportagem de Século Diário apurou que os pacientes já recebem, assim que dão entrada no hospital, um orçamento parcial do faturamento e devem, além do preenchimento do cheque nos valores exigidos, assinar um termo de compromisso de pagamento.
Unimed confirma
A assessoria do plano de saúde Unimed informou que realmente o Hospital Metropolitano não faz parte da rede Unimed Fácil. E que os hospitais credenciados nesse tipo de seguro são o hospital próprio do grupo, Cias Unimed, GranMater de Vitória, Hospital e Maternidade São Pedro de Guarapari e Hospital Evangélico de Vila Velha. É neste último que o empresário está internado.
O Hopital Metropolitano divulgou nota na página 11 da edição desta sexta-feira (13) do jornal "A Tribuna" dizendo que são "não são verídicas as informações passadas pelos familiares para a imprensa de que o paciente não fora atendido por não possuir plano de saúde credenciado". Segundo a nota, o paciente foi encaminhado "imediatamente para a sala de emergência, onde recebeu os primeiros socorros".
Ainda segundo a nota, o hospital teria sugerido a transferência para o Dório Silva "em virtude da equipe cirúrgica necessária para a realização dessa intervenção não estar completa aquela hora da madrugada e uma vez existindo uma equipe cirúrgica pronta a poucos metros dali, no Hospital Dório Silva. Por prudência, a médica (Jeane Pissarra, que estava de plantão) optou por tranferi-lo, no que houve concordância por parte dos acompanhantes".
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