Vitória (ES), edição de fim de semana
 
Um partido aberto a entendimentos para a eleição de governador
O PT pode ir de Vereza, Vidigal,
um dos Max ou o Paulo Hartung





Cristina Moura


"Não existe constrangimento em política."
(Lula)


Como defensor da fidelidade partidária, o prefeito de Cariacica, Helder Salomão (PT), deu o seu recado nesta entrevista. Para ele, o PT, que por ele é chamado mais intensamente de Partido dos Trabalhadores, foi vítima de traidores, ou seja, de alguns nomes que se preocuparam muito mais com interesses individuais.

Avaliações sobre as eleições deste ano ainda estão indefinidas. O prefeito não quis confabular detalhadamente. Citou alguns nomes pela oposição, especialmente pelo PDT, e acredita que o governador Paulo Hartung seja mesmo candidato à reeleição, dentro de uma possibilidade mais forte do que a do Senado. Diz que a relação institucional do município com o governo é "muito boa". E que, dependendo da evolução dos acontecimentos quanto à chapa de governador, o PT tanto pode ter candidato próprio (Cláudio Vereza) como apoiar a oposição - Sérgio Vidigal ou um dos Max - ou a reeleição de Paulo Hartung.

O leitor pode conferir que o prefeito é categórico nas afirmações. O que Helder Salomão mais defende mesmo é a construção do nome do deputado Cláudio Vereza (PT) ao governo. Esta é a certeza que, segundo o que ele deixa transparecer, parece mais próxima dos militantes do partido. Alianças, até o momento, também indefinidas, mas próximas historicamente do PCdoB e do PSB.

Século Diário: - Como o senhor está percebendo o cenário que está sendo construído para as eleições deste ano?

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
Helder Salomão: - Olha, na verdade o meu foco principal no momento é a administração municipal. Eu tenho me ocupado mais com essas questões administrativas, das respostas que a gente precisa dar ao município de Cariacica. Mas também temos acompanhado, a certa distância, e internamente no partido, os debates e os movimentos visando às eleições de 2006. Acredito que vai ser um momento importante porque no cenário nacional certamente nós teremos uma disputa entre o atual governo e a oposição. E no Estado do Espírito Santo o que a gente vê é que se colocam algumas possibilidades de candidatura. O PT coloca a pré-candidatura do deputado Cláudio Vereza, o governador deverá ser candidato à reeleição, e o PDT tem ensaiado o nome do Vidigal e, em até alguns momentos, o do Max Filho. Já se apresentam três pré-candidatos. E o que o PT quer é discutir uma aliança progressista e, certamente, nós vamos estar marchando juntos: ou com nossa candidatura própria ou com uma candidatura que busque reunir no programa de governo essas bandeiras, projetos e propostas que o PT defendeu ao longo de sua história.

- O senhor acredita mesmo na construção do nome do deputado Cláudio Vereza?

- Acredito. Acredito porque nós estamos iniciando um diálogo com os partidos. Cláudio Vereza é um nome conhecido em todo o Estado, teve um destaque maior quando esteve à frente da Assembléia Legislativa, na condução daquela Casa, como presidente, durante dois anos. Ele se tornou uma referência importante no cenário estadual e, obviamente, nós não pretendemos marchar sozinhos com a candidatura do deputado Cláudio Vereza. Nossa estratégia é conversar com os partidos progressistas que têm uma história de aliança com o Partido dos Trabalhadores. Se nós conseguirmos consolidar esse bloco em torno do nome do deputado Cláudio Vereza, o nome dele, certamente, será mantido. Isso não quer dizer que a gente não esteja aberta para conversar e para discutir alianças com os demais partidos e os demais nomes que estão colocados no cenário. Nós temos tranqüilidade para conduzir esse processo de maneira que a gente consiga formar um bloco que tenha compromisso com as questões sociais, com o desenvolvimento econômico sustentável do Espírito Santo, com defesa ética, embora alguns tenham me perguntado como o Partido dos Trabalhadores vai se comportar em vista da crise que ocorreu no cenário nacional. Eu volto a dizer, como tenho dito, durante todo esse tempo, que o que ocorreu não foi com o Partido dos Trabalhadores, foi com alguns integrantes do partido, que hoje já não estão mais no partido, outros que são alvos das comissões de ética do PT. E, infelizmente, em nome do partido alguns agiram como se não devessem ao partido um esclarecimento. O que nos moveu até hoje, especialmente, foi a bandeira da ética, o compromisso com a população, as questões sociais, e é isso que vai continuar nos movendo. O PT vai nessas eleições, como nunca, defender a questão da ética, da transparência, do compromisso, do investimento nas áreas sociais, que têm sido a tônica do partido nesses vinte e cinco anos. Em que pesem essas denúncias, voltamos a dizer: isto não é um problema que diga respeito a todo o partido, diz respeito a algumas pessoas que traíram os princípios partidários e agiram em nome próprio. Daí, a importância de nós, nesse processo eleitoral, retomarmos esse debate e resgatamos os princípios que nortearam a caminhada do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, até hoje, nos últimos 25 anos.

  
Foto: Ricardo Medeiros
  
- Alguns nomes estão ensaiando no PDT: Sérgio Vidigal, Max Filho, Max Mauro... O senhor acredita, então, na possibilidade de uma aliança com PT, PDT e outros partidos, de onde sairá um nome só...

- Na verdade, é o seguinte: certamente, nossa estratégia será, é e será, a de construir a candidatura do deputado Cláudio Vereza a governador. Para isso, vamos buscar como aliados outros partidos e também movimentos da sociedade civil organizada. Se isso for possível e for suficiente nos próximos meses, a candidatura dele será mantida. Agora, também há a possibilidade de discutirmos aliança com outros candidatos, que não sejam o nosso pré-candidato. Isso vai depender muito do que a gente conseguir construir e não está dado apoio nem ao PDT nem ao governo do Estado. Não está descartado que a gente possa discutir política eleitoral com o governador ou com o PDT. Hoje, não temos uma posição definida nem em relação ao PDT nem em relação ao governo do Estado. Nenhum deles no momento é nosso adversário nas eleições e nenhum deles é nosso aliado ainda. Nós estamos discutindo... Então, há possibilidade de termos candidatura própria e há a possibilidade de discutirmos tanto com o PDT quanto com o governo do Estado.