Vitória (ES), edição de 17 de janeiro de 2006    
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Los Hermanos



Oscar Vasconcelos
Atualizado toda terça-feira, às 16 horas


Fim de semana dose dupla, "Los Hermanos" e outros que assim que se sentem como tal e acabam sendo tanto quanto, embora num plano ainda mais informal. Sim, foi bom demais. E quando não é? Aliás não seriam eles se assim fosse. Quero dizer, abaixo de excelente é o que não é possível. O improvável clichê que todos sonham possuir, mas não há dinheiro - jabá? - que pague tamanha admiração, dosada na medida exata, com cuidadosa devoção cega, mas longe de ser surda ou muda. Nesse ponto eu lembro, a cada show, do famoso "culto" à "Legião Urbana", algo que começou assim, calmamente, e foi crescendo, crescendo, até virar algo gigantesco, beirando o fanatismo religioso. Falo isso numa boa, até porque eu era um dos alucinados que reverenciava a banda acima de qualquer coisa. Ainda tenho uma ligação extremamente forte com a "causa", mas os anos passam e damos novas medidas a tudo que nos envolve física e espiritualmente.

Uma diferença notável entre as duas bandas é o fato de que enquanto Renato adorava fazer um - ou vários - discurso politizado entre - ou mesmo durante - as músicas, os Hermanos seguem o caminho inverso. Quase não falam com o público, uma economia de palavras sem precedentes na história. Embora não haja qualquer reclamação formal em relação a isso, às vezes acho que só eu sinto falta de uma interação maior. O fato é que eles não estão ali para conversar... é... eu estou errado. Boa Hermanos, ponto pra vocês. A grande semelhança fica por conta da galera que canta todas as músicas com paixão, como se aquilo fosse exatamente o que eles queriam dizer para alguém, ou em algum momento, e de repente há uma música que traduz uma locomotiva de sentimentos acelerados e pulsantes e torna tudo mais simples e direto. Há uma identificação fortíssima com as letras, é deliciosa a sensação de positividade que rola durante as apresentações, todos numa mesma vibração, como diria Tim Maia em sua fase Racional, "numa relax, numa tranqüila, numa boa".

O show realizado no último fim de semana no Canecão, Rio de Janeiro, privilegiou o último disco "4" - tocado na íntegra -, dá umas palhinhas dos dois discos anteriores e praticamente descarta da existência o primeiro. Embora eu tenha achado o set list do dia 13 melhor, o clima de domingo, dia 15, estava muito mais agradável. Pena que nessa última noite não rolou nem "Conversa de Botas Batidas" e nem "Do Sétimo Andar". Por outro lado, a nova dancinha do Amarante - que trazia Paulo Leminsky estampado na camiseta - conquistou fãs instantaneamente. Para vocês terem uma noção melhor do que rolou segue o set do dia 13 (segundo minhas anotações) abaixo:

Todas as músicas do "4" (12)
Cara Estranho
Ultimo Romance
Conversa de Botas Batidas
Alem Do Que Se Vê
Retrato Pra Iaia
Todo Carnaval Tem Seu Fim
Casa Pre-fabricada
Sentimental A Outra
O Vencedor
A Flor
Do Sétimo Andar

Do dia 15, tirar Conversa, A Outra e Do Sétimo Andar e colocar Adeus Você e Um Par.

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That`s All Folks!

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