Pobre povo serrano




Mais uma vez a população da Serra sofre o constrangimento de ver sua cidade no topo da violência no Estado. Dados estatísticos divulgados pela Secretaria de Segurança Pública informam que a Serra manteve o título de campeã de homicídios. (Veja matéria em destaque nesta edição).

Nos levantamentos nacionais, a serem divulgados em breve, a Serra deverá repetir o título dos anos anteriores, colocando o pequeno estado do Espírito entre os grandes da criminalidade.

Alguma reação do prefeito Audifax Barcelos aos números divulgados? Não, nenhuma. A violência contra os cidadãos serranos não é um tema da preferência do prefeito.

Mas deveria ser. Seria importante que a população testemunhasse algum esforço, ainda que meramente retórico, daquele que se elegeu prometendo manter a continuidade administrativa e não está cumprindo a promessa.

Porque se estivesse não haveria a revolta da sociedade nos níveis atuais. Especialistas no assunto já descobriram que tão importante quanto a ausência da violência é a sensação de segurança. E o que é isso? Que significa, em termos sociológicos e psicológicos, a tal sensação de segurança?

Significa ver a presença do poder público ao lado da cidadania. Debatendo, discutindo, recebendo sugestões, implementando programas de envolvimento de jovens, adultos e idosos em atividades voltadas para o bem coletivo. Isto se viu muito na administração anterior, do prefeito Sérgio Vidigal.

Havia uma Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, entregue a um militante petista de fortes ligações com a sociedade organizada, ocupando os espaços que hoje estão em poder da bandidagem. Sentia-se disposição para o combate à violência por parte de todos os envolvidos na questão.

Ou seja, se o prefeito estivesse se mexendo, mobilizando a sociedade e os empresários para um esforço em conjunto com o governo do Estado, pelo menos estaria abrindo perspectivas de um futuro menos violento. O combate à violência não dá resultados imediatos - é um processo longo, trabalhoso e sofrido. Mas gratificante. Interromper os programas sociais que tinham esse fim, para substitui-los por obras de fachada, como está fazendo Audifax Barcelos, é condenar a Serra ao padecimento eterno.

Só mesmo um administrador insensível diante da problemática social, voltando exclusivamente para interesses imediatistas, seria capaz de assumir tal postura.

Uma lástima.