Os capixabas não devem receber com alegria a informação de que a Aracruz Celulose investirá US$ 200 milhões na modernização de suas três fábricas e de que promoverá novos plantios de eucalipto no Espírito Santo. Tais ações da empresa aumentarão a fome e a exclusão social no Estado.
O colunista faz suas as afirmações da coordenação estadual do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Os agricultores consideram que os novos plantios poderão chegar a 100 mil hectares. E que a empresa vai usar terras boas para produção de alimentos para produzir o insumo de papel higiênico para exportação.
A monocultura do eucalipto, espécie exótica, é altamente impactante. Na prática provocou a diáspora dos quilombolas do norte do Estado, que perderam suas terras. Também afetou a cultura indígena.
Há ainda considerações meramente ambientais, além das sociais. A empresa, ao aumentar sua produção, lançará mais poluentes no mar e no ar, principalmente na região de Aracruz. Os poluentes já mataram e afastaram os peixes do mar. E os gases fedidos expelidos pela chaminés das fábricas são sentidos a quilômetros.
A pompa e circunstância da informação divulgada pela empresa nesta terça-feira (10), no próprio Palácio Anchieta, esconde tudo isso. E os impactos vão ser sentido já nos próximos meses.
E, em relação aos novos plantios, que se alertem os pequenos produtores rurais: os plantios de eucalipto rendem 25 menos do que a agricultura, de acordo com resultado de pesquisa realizada em Santa Maria de Jetibá.
E torna o agricultor escravo da empresa, pois uma vez fazendo parte do Programa Produtor Florestal da Aracruz Celulose, é obrigado a destinar sua produção para a empresa. A preços que ela determina na ocasião.
A ampliação das fábricas da empresa no Estado vai gerar apenas 1.880 empregos diretos durante as obras civis. Depois, restarão empregados 200 trabalhadores, não se sabe quantos terceirizados.
A Aracruz Celulose mantém no ar uma ameaça maior, que é a de escolher o Espírito Santo para sediar uma nova fábrica. Aí, não restará terra para a agricultura, e os alimentos dos capixabas terão que ser comprados de outros estados (e de longe, pois a empresa já ocupa grande parte do sul da Bahia, por exemplo).
Mas o que está consolidado já faz arrepiar.
Os capixabas não devem se calar, por medo ou omissão, em relação a projetos tão permiciosos ao seu Estado.
A hora é de protestos contra a degradação ambiental, seja promovida por quem for!
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