Vida de Imigrante - Ora, pílulas!




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


O governo americano está declarando guerra total contra as pílulas brasileiras para emagrecer. Num tempo em que o excesso de peso se transformou num dos maiores problemas de saúde do país, o milagre vem do sul. Emagrece sim e Herbatin está na lista dos produtos mais cobiçados no momento.

Importadas e distribuídas por firmas de Miami, as pílulas milagrosas prometem emagrecimento rápido sem dieta, sem ginástica e sem os indesejáveis efeitos colaterais. Bom demais para ser verdade, embora o preço do produto, em terras do tio Sam, não seja nada miraculoso.

Gordinhos e gordinhas estão pagando $100 dólares por um estoque de pílulas para um mês. No Brasil, o preço do mesmo produto não chega a R$ 50. Conheço muita gente que não vive sem elas, e se digo que vou ao Brasil, logo me perguntam se não é possivel trazer-lhes a maravilha por um preço mais em conta.

O produto não foi testado pelo órgão americano que controla remédios e alimentos, o rigoroso FDA, que acusa o Banco Central de ajudar na exportação das pílulas, promovendo-as em seu site e dando incentivos aos produtores para vendê-las nos States. Diz ainda que o fabricante não é confiável, pois a bula nãoque diz o que o produto contém.

O FDA diz que as pílulas contêm estimulantes, cujo uso é proibido nos States sem receita médica. Geralmente um candidato a emprego no país tem que fazer exame de urina para detectar uso de drogas. Como as pílulas emagrecedoras contêm anfetamina, essa substância aparece no exame, e o candidato é rejeitado como usuário de drogas.

A pílula foi proibida no país, deixando no ar perguntas embaraçosas. As pílulas emagrecem de fato, ou são mais um placebo que ilude o usuário ansioso por chegar ao peso idealizado pela mídia? Somos uns trapaceiros, ou tudo não passa de mais uma medida protecionista para eliminar um concorrente que incomoda os sacrossantos produtos americanos?