Vitória (ES), edição de 17 de janeiro de 2006

Estratégias diferentes na luta
por doação de terras na Assembléia



Renata Oliveira
Foto capa: Ricardo Medeiros


Os três projetos de doação de terras devolutas do governo para a reforma agrária entram na pauta de votação da Assembléia nesta terça-feira (17), mas as movimentações do plenário indicam que não será fácil aprovar o projeto. A Casa vive hoje dois movimentos. Enquanto os sem terra fazem manifestação na frente da Assembléia, os proprietários de terras articulam silenciosamente.

Ventila-se nos corredores da Assembléia que a estratégia dos donos das terras para convencer os deputados a votarem contra o projeto se resume a visitas constantes aos 30 gabinetes dos deputados.

Ninguém os vê chegando ou saindo da Casa, mas as conversas têm sido constantes e produtivas. O grupo de proprietários de terra já conta com muitos votos no plenário, sobretudo entre os deputados que têm base no interior do Estado.

O projeto têm algumas vertentes que deixam o placar ainda mais imprevisível. Se de um lado há interesse da base do governo em aprovar incondicionalmente as matérias oriundas do Executivo, muitos deputados estão pensando duas vezes antes de desagradar aos produtores rurais, lideranças políticas importantes em um ano eleitoral.

Se quiser mesmo aprovar o projeto, o governo terá que fazer um esforço concentrado. Talvez fosse interessante uma visita do secretário de Agricultura do Estado, Ricardo Ferraço, à Assembléia para reforçar a necessidade de aprovação do projeto, para a implantação de assentamentos.

Outro obstáculo enfrentado pelos sem terra foi lembrado pelo deputado Cláudio Vereza (PT). "Muita gente liga sem terra ao PT e muita gente aqui não gosta do PT", disse.

No final do ano passado, o governador Paulo Hartung enviou à Assembléia três projetos de lei, nos quais pede autorização para desapropriar grandes áreas nos municípios de Barra de São Francisco e Ecoporanga. Caso realmente retire dois projetos voltados para a área de cultura da pauta de votação.