Vitória (ES), edição de 17 de janeiro de 2006

Vila Velha: usuários do Transcol
não aceitam aumento de tarifa



Luciano Coelho
Foto capa: Gustavo Louzada


A Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Cetrub-GV) ainda não definiu o valor do reajuste da tarifa do Transcol, mas a sociedade já reprova o aumento. Há reclamações de que a passagem é a mais cara do País, de estudante que não conseguiu comprar o passe escolar e até de quem quase quebrou o braço em uma viagem num coletivo superlotado.

A doméstica Elisângela de Almeida mora na Serra e trabalha na Praia da Costa. Ela pega o ônibus às 4h40 e chega no Terminal Vila Velha por volta das 6h30. Elisângela aceitaria um reajuste caso aumentasse o número de coletivos. Ela vê na superlotação o maior problema enfrentado diariamente pelos usuários. Disse que quase quebrou o braço uma certa vez em que se machucou na porta de um ônibus muito cheio. A doméstica revelou que, se quiser fazer a viagem sentada, deve se atrasar por 30 minutos. "Mas aí, levaria bronca da patroa", lamentou.

A aluna de enfermagem Áurea Lúcia de Almeida reclamou que não conseguiu comprar o vale-transporte com o desconto estudantil por não ter renovado seu cadastro. Ela informou que não há como fazer a renovação, uma vez que a nova ficha cadastral ainda não foi fornecida à escola. Segundo Áurea, ela até poderia comprar o passe escolar no Terminal de Vila Velha, mas só ele só vai ser vendido a partir de fevereiro. Áurea disse também que o carro da linha 514 (Vila Velha-Ibes) já sai cheio do ponto de partida. Ela gostaria que os empresários olhassem mais pelos estudantes e assalariados, que pagam muito pela atual tarifa.

O porteiro João Lopes considera a passagem a mais cara do País. Ele até sugeriu que deveria custar R$ 1,50, porque a maioria dos passageiros não percorre as maiores distâncias. Lopes também lembrou o fato de a Ceturb-GV justificar o aumento por causa dos custos. "Os empresários alegam que estão gastando muito, mas não largariam a linha de jeito nenhum", provocou o porteiro. Ele, porém, considera os ônibus em bom estado de conservação, sem que isso seja motivo para reajustar a tarifa.

Quem também é contra o aumento é o presidente da Associação de Moradores do Centro de Vila Velha, Wolmar José Médici Júnior. Segundo ele, a associação não aprova o aumento. Wolmar ainda sugeriu que o governo estadual deveria estabelecer alguma medida, como redução de impostos para as empresas, a fim de livrar o bolso dos usuários.

Outro líder comunitário, José Eduardo Martins, presidente da Associação dos Moradores da Praia da Costa, considera a passagem uma das mais caras do Brasil. Martins disse também que muitos moradores de seu bairro têm carro, mas ainda assim vão sentir o aumento, já que pagam domésticas e prestadores de serviços que usam o Transcol.