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Foto: Divulgação
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| Yuri Firmeza cria revolta e reflexão na imprensa
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O artista-plástico japonês Souzousareta Geijutsuka seria recebido como uma celebridade internacional no início do mês em Fortaleza. Capa e matérias nos jornais de cultura do Ceará denunciavam a expectativa local. Pena que ele não compareceu. Personagem fictício de um artista local, o que se viu foi um belo golpe na imprensa e uma reflexão sobre a arte.
Vamos explicar a confusão. Convidado para participar de uma exposição no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, com sede em Fortaleza, o artista-plástico Yuri Firmeza (esse é real) teve uma idéia que incomodou muitos na região.
Com um esquema bem planejado, inventou a existência de um renomado artista-plástico japonês, cujo nome seria Souzousareta Geijutsuka, e vendeu a história para imprensa cearense. Os principais jornais locais, como O Povo e o Diário do Nordeste, sem saber que se tratava de uma farsa, acreditaram na conversa, principalmente por ela ter sido validada pela curadoria do MAC-CE.
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Foto: Divulgação
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| A foto do gato de rua divulgada pelos jornais como sendo um vídeo-arte
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Para dar mais veracidade ao fato, Yuri convenceu especialistas a escrever sobre os inigualáveis dons artísticos de Souzousareta. Sem sequer fazer pesquisas sobre a vida e obra do tal japonês, a imprensa local embarcou nos mirabolantes releases de divulgação criados pela equipe de Yuri Firmeza e deu destaque à exposição inédita no Brasil.
Em matéria publicada no dia 10 de janeiro sobre a vinda da exposição do japonês, o jornalista Dawlton Moura, do Diário do Nordeste, com destaque no Caderno 3, afirmou que "esta é a quarta vez em que Souzousareta, considerado um dos nomes mais importantes quanto à interface entre arte contemporânea, ciência e novas tecnologias, participa de eventos no Brasil". De acordo com o jornalista, Souzousareta já teria exposto em Berlim, Tóquio, Nova Iorque e São Paulo.
Além disso, o Diário do Nordeste publicou uma entrevista realizada com Souzousareta. Nas respostas enviadas ao jornalista por e-mail, o fictício artista diz: "Não só no Brasil, mas me parece que em vários países desenvolvidos, as atividades da cultura precisam apresentar relevância mercadológica para encontrar linhas abertas de financiamento e incentivo". Continuou: "essa exposição tem várias facetas, justamente para poder lidar com vários problemas. Tudo está integrado a um exercício do simulacro, cujo objetivo é retirar os hábitos de seu estado de evidência. Inclusive hábitos estéticos, do tipo ´Por que gostamos de arte?' É preciso ver a exposição" Para ilustrar a matéria, fotos que a namorada de Yuri Firmeza fez de um gato de rua, que seria uma cena de um suposto vídeo-arte de Souzousareta.
Segundo o jornal Estado de São Paulo, em matéria publicada na última terça-feira (17), Yuri Firmeza deixou algumas pistas de que tudo era uma armação. Souzousareta Geijutsuka significa "artista inventado". E o nome da exposição Geijitsu Kakuu, pode ser traduzido como "arte e ficção".
A "farsa" foi revelada na abertura da exposição, reunindo intelectuais, estudantes, professores, artistas-plásticos e membros da sociedade do Ceará. A anunciada presença de Souzousareta não foi concretizada. No lugar da obras do japonês, impressos de e-mails trocados entre Yuri Firmeza e um amigo sobre a idéia de criar um artista imaginário e como isso poderia ser recebido pelo público e pela imprensa.
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Foto: Divulgação
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| O principal questionamento de Yuri é a respeito dos processos que validam a arte
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"O que me interessa é interrogar sobre a qualidade do que compõe todo esse sistema de legitimação estética: críticos, jornais, artistas, curadores, galerias, museus e o próprio público", escreveu Firmeza em uma dos e-mails.
Nervosismo
A reação da imprensa cearense não foi das melhores. O jornal O Povo escreveu um editorial sobre o caso. "O caso merece reflexões e, de uma forma infeliz, servirá de advertência para a imprensa para evitar futuras aventuras irresponsáveis e, também, de parâmetro no relacionamento com entidades e produtores culturais. (...) O sr. Yuri Firmeza extravasou suas frustrações e recalques na mídia. Mas foi longe demais em suas elucubrações. Precisava usar de artifício tão mesquinho e irresponsável para divulgar seu trabalho e seu protesto?" O jornal ainda questionou a credibilidade do MAC-CE a do Centro Dragão Mar, responsável pela mostra.
Porém, o mesmo jornal foi capaz de publicar um artigo crítico da professora Regina Ribeiro sobre o ocorrido. "A questão é que Souzousareta só existe a partir da informação publicada. É uma invenção. Uma fábula.(Portanto, arte.) Não se materializa em torno de uma alma pensante, mas existe como discurso. É real enquanto informação", afirma Ribeiro.
Leia mais!
Clique aqui e leia o artigo crítico de Regina Ribeiro
Clique aqui e leia o editorial de O Povo
Clique aqui e leia artigo em que o jornalista Felipe Araújo, de O Povo, chama o ocorrido de molecagem
Clique aqui e leia a entrevista realizada com Souzousareta Geijutsuka. É necessário cadastro
Clique aqui e visite o site do Centro Dragão Mar
Clique aqui e visite o site de Yuri Firmeza
Clique aqui e leia uma matéria sobre o caso feita pelo site Overmundo
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