O desenvolvimento do estado do Espírito Santo, para ser sustentável e duradouro, requer um ambiente político e social de consenso. Designarei, para efeito de argumentação, a possibilidade de construção deste ambiente como "Consenso Capixaba".
Olhando o estado do Espírito Santo sob o prisma do movimento da História - e, também, sob a ótica da criação das condições objetivas e subjetivas para a construção de um processo duradouro de desenvolvimento sustentável - , é preciso indagar como se pode produzir condições sociais e políticas para um ambiente de Consenso Capixaba.
Hoje, no Espírito Santo, a possibilidade de construção de um Consenso Capixaba tem nome e sobrenome: Paulo Hartung.
Ao contrário de absolutamente todos os governadores que governaram o Estado a partir do retorno às eleições diretas para governador - ou seja , a partir de 1982 -, Paulo Hartung conta, ao mesmo tempo, com Fortuna (circuntâncias históricas) e Virtú (atributos de líder) para articular o Consenso Capixaba.
Antes dele, talvez apenas o ex-governador Gerson Camata tenha tido condições semelhantes. Entretanto, apesar de ter atuado em ambiente econômico favorável (a produção e os preços do café), o hoje senador Camata teve que enfrentar a ira do General Figueiredo, então presidente da República. Quer dizer, as circunstâncias não foram lá muito favoráveis. Mas o senador compensou isto com o exercício da Virtú, costurando (literalmente ) uma aliança de governo que foi quase de "A " à "Z " no espectro político de então.
Depois dele, a História não colocou diante dos quatro governadores seguintes a possibilidade da combinação da Fortuna com a Virtú. Basta analisar cada período - do governador Max Mauro ao governador José Ignácio - para constatar isto. Em todos os casos, as circunstâncias (Fortuna) foram, em maior ou menor grau, desfavoráveis. Em alguns casos, houve baixa possibilidade de exercício de ampla liderança (Virtú), capaz de produzir ambiente de consenso e legitimidade política. Agora, é diferente. Do ponto de vista econômico, o estado do Espírito Santo entra no chamado Terceiro Ciclo do seu desenvolvimento em condições históricas inigualáveis. Do ponto de vista político, o governador Paulo Hartung conseguiu o que há muitos anos não se conseguia: boa (e eficaz) articulação com o governo federal. Além de ter costurado ampla base de sustentação no Legislativo, no Judiciário e, principalmente, na sociedade civil.
Trata-se da combinação competente da Fortuna (circunstâncias) com a Virtú (liderança).
Isto posto, o governador tem amplas e sólidas condições de transformar tudo isto em verdadeiro Consenso Capixaba. A que consenso nos referimos ? É simples.
Referimo-nos à possibilidade de construir e consolidar uma Agenda Política, Econômica, Social, Cultural e Tecnológica que possa unir as forças políticas, sociais e econômicas em torno de, aí sim, um Projeto de Desenvolvimento Sustentável para o Espírito Santo.
Isto passa pela implementação, em curso, da agenda econômica. Mas não pode se esgotar aí. Passa por iniciativas culturais singelas, como esta agora do enredo da Caprichosos de Pilares no carnaval de 2006 sobre o Espírito Santo. Passa por fortalecer o futebol capixaba, para que os capixabas torçam por um time capixaba.
Ou seja, passa, também, pela auto-estima e pela mobilização do elemento de empreendedorismo que existe nos capixabas.
Sem contar que o governador precisa dar maior ênfase e peso ao Calcanhar de Aquiles do seu governo: a questão da segurança pública. Dar maior peso e ênfase não significa apenas alocar mais verbas. Significa colocar a sua capacidade de liderança e mobilização para que este problema se torne prioridade absoluta da sociedade, como aconteceu, por exemplo, em New York.
O Consenso Capixaba é possível e está ao alcance das nossas elites e da sociedade regional. Basta que tenhamos juízo e deixemos para trás as práticas da Teoria do Caranguejo e a cultura do complexo de inferioridade e do desprezo e inveja pelo sucesso alheio (caldo de cultura, aliás, da maledicência).
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