A assessoria de comunicação da prefeitura de Vitória (PMV) não soube informar se a Ruína Beneditina, localizada na Ilha do Frade, foi erguida pelos frades beneditinos, como diz o sítio do órgão na Internet. A destruição da obra não vai trazer nenhum problema para a proprietária do terreno, Flávia Moraes, que autorizou a demolição. É que o monumento não foi tombado pela PMV.
Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, não há um estudo histórico arqueológico para comprovar se a construção foi mesmo obra dos frades. No entanto, a própria assessoria revelou que a PMV recebeu uma intenção de projeto de tombamento da Ruína Beneditina. Esse projeto informal foi apresentado pelo vereador José Carlos Lyrio Rocha, no último trimestre do ano passado.
Mas, segundo a chefe da Divisão de Revitalização Urbana da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec), Jaqueline Alochio, Rocha pediu que fosse desconsiderada a sua intenção de projeto. Logo após o pedido do vereador, aconteceu a demolição.
Jaqueline também revelou que a prefeitura chegou a iniciar uma pesquisa, a fim de viabilizar o processo de tombamento. A assessoria ratificou que a prefeitura tinha cadastrado o monumento, mas ainda não havia uma identificação, com fundamentação histórica. Após isso, os documentos seriam encaminhados para alguns conselhos, como o do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), que aprovariam ou não o projeto.
"Enquanto não tem a declaração de patrimônio histórico, o dono pode fazer o que quiser", explicou a assessoria.
Um policial do posto da Polícia Militar da Ilha do Frade adiantou que, segundo burburinhos dos moradores, Flávia Moraes demoliu a ruína para não ver seu terreno aberto oficialmente a visitas turísticas, caso fosse tombado.
A atitude da proprietária foi ao encontro das opiniões de duas moradoras do bairro. Mãe e filha, que não quiseram ser identificadas, concordaram com a derrubada. A primeira argumentou que a proprietária poderia fazer o que bem entendesse com a Ruína Beneditina, porque não havia nenhum entrave jurídico, além de o terreno ser dela. A filha reforçou com indignação: "Esse monte de pedra feia tinha que ser destruído mesmo".
Independentemente da posição dos moradores da Ilha do Frade e do fato de não existir mais o monumento, a página da PMV na internet trata a Ruína Beneditina como ponto turístico de Vitória.
Vale ressaltar que o sítio da PMV indica um ponto turístico que não existe mais. Mas há lá o resumo acerca do monumento. "Antiga propriedade da Irmandade Religiosa dos Frades Beneditinos, a construção do mosteiro iniciada pelos religiosos não chegou a ser concluída. Hoje, a ruína encontra-se próximo a casas e mansões de propriedade da classe abastada da cidade".
As ruínas da Ruína Beneditina podem ser vistas por quem passar na esquina da avenida Desembargador Alfredo Cabral com a rua João Vieira Simões, na quadra das Jaqueiras, Ilha do Frade, em Vitória.
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