Vitória (ES), edição de 20 de janeiro de 2006    
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Samba da Lapa para Vitória



Felicia Borges



  
Foto: Divulgação
  

A menina-prodígio, que aos cinco anos tocava bandolim nos programas de televisão, se transformou em uma das maiores revelações da "nova" geração de sambistas. Nascida em Campo Grande, Rio, a cantora Nilze Carvalho se apresenta neste sábado (21) em Vitória. Em entrevista ao Caderno A ela fala sobre a carreira e o show.

Dona de uma voz macia e doce, a cantora tomou gosto pela música ainda bem cedo. "Eu comecei a tocar com cinco anos, e apesar de meu pai ser músico ele achou melhor eu aprimorar a percepção auditiva. Então eu escutava muita música e tentava tirar essas músicas de ouvido. Na minha casa a gente ouvia muito choro e samba, Jacob do Bandolim, Valdir Azevedo, Abel Ferreira, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Roberto Ribeiro...", diz Nilze em entrevista ao Caderno A.

Dos 11 aos 14 anos, gravou, como bandolinista, a série de LPs "Choro de Menina" em quatro volumes (1981-1984). Logo a menina chamou atenção e recebeu convites para tocar no exterior. "Eu viajei a primeira vez quando tinha 15 anos de idade, junto com meu pai e minha irmã que era percussionista. Ficamos um ano na Europa, mais precisamente entre Itália, França e Espanha. Depois fui aos Estados Unidos, durante um ano e meio. Europa de novo e mais tarde Japão, China, Austrália e Argentina", conta.

Depois de anos fora, encantando os estrangeiros com o samba, a carioca resolveu retornar ao Brasil. "Além da saudade dos familiares, eu sentia vontade de retomar a carreira aqui no meu país, e também de terminar os estudos. Voltei definitivamente em 1999 quando prestei vestibular e passei para a Unirio, no curso de Licenciatura em Música".

Mesmo fora do País, Nilze sabia do movimento de revalorização do samba no Rio. "Nesse tempo eu estava no Japão, mas acompanhava. Afinal, eu voltava ao Brasil de seis em seis meses para troca de visto, e no tempinho que passava aqui sempre ia assistir aos amigos, principalmente na Lapa", lembra.

O período no estrangeiro foi de muito aprendizado para ela, onde pôde notar a diferente recepção de cada povo para sua música, mas uma coisa ela percebeu. "Sem sombra de dúvida o samba é o ritmo que mais contagia o estrangeiro. A gente começa tocando choro, bossa, xote, mais no final sempre acaba em carnaval".

"Só alegria"

Se samba e choro podem ser dor ou alegria, para Nilze depende do estado de espírito de quem está tocando ou ouvindo. "Pra mim é só alegria", afirma ela. Para quem deseja conhecer um pouco de chorinho e samba, Nilze indica alguns locais no Rio de Janeiro, como o Centro Cultural Carioca (Praça Tiradentes), Carioca da Gema (Lapa), Bip Bip (Copacabana), Chorinho na Feira (Praça Gal Glicério- Laranjeiras).

Nilze Carvalho se apresenta em Vitória ao lado da bateria da escola de samba MUG (Mocidade Unida da Glória). "Gosto de Carnaval, mas ultimamente não tenho participado muito. Vai ser bacana ouvir essa bateria de pertinho. Além do repertório do meu novo CD 'Estava Faltando Você', como Candeeiro da Vovó, Palmas no Portão, História de Pescador, vou tocar e cantar alguns clássicos do choro e samba", avisa.

Saiba mais!

De volta ao Brasil

Depois do retorno ao país, em 2002 Nilze Carvalho participou do show "O Samba é a Minha Nobreza", de Hermínio Bello de Carvalho, ao lado de Cristina Buarque, Roberto Silva, Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Paulão Sete Cordas, entre outros, apresentado no Cine Odeon, no Rio de Janeiro.

No mesmo ano apresentou-se no show "Lembranças Cariocas", de Lefê Almeida, no bar Carioca da Gema, projeto que virou disco em 2003 e reuniu, além de Nilze Carvalho, Pedro Miranda, Lucas, Macarrão, Trambique, Esguleba e Pedro Malta. O disco ainda contou com a participação especial de Chico Buarque declamando o poema "Canto do Rio Sem Sol", de Carlos Drummond de Andrade.

Também em 2003, ao lado de Dona Ivone Lara, Wilson Moreira, Elton Medeiros, Cristina Buarque, Monarco, Velha Guarda da Portela, Elza Soares, Teresa Cristina, Mart'nália, Cristina Buarque, Renato Braz, Seu Jorge e Walter Alfaiate, entre outros, participou do CD "Um ser de luz - saudação à Clara Nunes", lançado pela Deckdisc.

  
Foto: Divulgação
  
Com o grupo de samba Sururu na Roda gravou em 2002 o CD "Arco da Velha" e em 2004 o "Sururu na Roda", no qual contou com a participação especial de Chico Buarque no pout-pourri que reuniu "A Rita", "Samba do grande amor", "Homenagem ao malandro" e "Feijoada completa".

No ano passado, Nilze Carvalho lançou o CD solo "Estava Faltando Você" (Fina Flor, 2005), com participações especiais de Nei Lopes; do pai da cantora, Cristino Ricardo, e do pianista Marvio Ciribelli. Completam o CD, Mart'nália, Analimar, Rhichahs e seus companheiros de Sururu, Camila Costa e Silvio Carvalho no coro.

O disco traz sambas de compositores consagrados, como Wilson das Neves, Delcio Carvalho, D.Ivone Lara, Roque Ferreira, Paulo César Pinheiro, Dauro do Salgueiro e Nivaldo Duarte, e compositores da nova geração, como Wanderley Monteiro, Mariozinho Lago, Tuninho Galante, Marceu Vieira, Marcio Lima e Paulinho do Cavaco. Nilze, em parceira com o pai, também mostra seu lado compositora em três sambas e uma toada.

Serviço

A sambista carioca Nilze Carvalho se apresenta nesta sábado (21), a partir das 20h30, na programação cultural da Praia de Camburi ao lado da bateria da MUG. Entrada franca.


 

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