Alguns dados ligados à monstruosa operação policial contra os índios de Aracruz comprometem seriamente o governo Lula. Vamos a eles.
A decisão judicial que determinou a reintegração de posse das terras autodemarcadas pelos índios saiu no último dia 7. Ou seja, o governo teve 13 dias para reagir. Poderia ter mobilizado a Fundação Nacional do Índio (Funai) para tentar derrubar a liminar, se isso fosse do seu interesse.
Mas, como não era, em vez disso tratou de montar uma megaoperação da Polícia Federal para pegar os índios de surpresa e a Justiça desprevenida. Mesmo em condições normais, a Justiça não teria como agir numa sexta-feira. Em época de recesso forense isto se tornaria ainda mais difícil.
A operação policial, pela grande envergadura que assumiu, não pode ter sido iniciativa exclusiva da Superintendência da PF. Veio ordem de cima para que agentes de outros estados se integrassem ao aparato bélico montado contra os índios.
Nessas condições, a violência policial contra uma comunidade usurpada em seus direitos pela Aracruz Celulose só pode ter sido resultado de uma trama entre o presidente Lula e o ministro Márcio Thomaz Bastos, da Justiça. Somente a alta cúpula do governo federal tem condições de montar tão grandioso aparato para agir da forma como está agindo contra os índios.
Configura-se, assim, mais uma traição do governo petista a princípios que nortearam a criação do Partido dos Trabalhadores. Mais que isso: com esta ação o presidente da República deixa cair a máscara de democrata e, num rasgo que o faz assumir papel de capataz e defensor de interesses alienígenas, sucumbe à tentação do uso da força contra uma comunidade de pessoas indefesas.
Pessoas com as quais ele, antes de chegar ao poder, teve contato direto, pessoal, levado por sindicalistas capixabas. Aos índios Lula disse estar solidário com sua luta. Imaginem se não estivesse.
O leitor há de estar se perguntando: e o que estão fazendo contra isso os petistas capixabas que assumiram cargos importantes no governo federal? Nada, absolutamente nada. Estão desfrutando de mordomias e posando de poderosos.
Vejam o caso de Perly Cipriano, nomeado subsecretário de Direitos Humanos. Que fez esse cidadão contra os que escravizam trabalhadores em canaviais e fazendas do interior? Ou contra as grandes empresas que exploram de maneira desumana a mão de obra de operários terceirizados? Sobre a luta dos índios ele jamais pronunciou uma única palavra.
Na biografia de Perly, como servidor público federal ocupante de cargo comissionado no governo federal, o que vai se destacar é a hilária tentativa dele de ensinar o povo brasileiro a falar segundo seus padrões de linguagem, um esquerdismo primário e tatibitati. Pois é de sua lavra uma cartilha editada pelo governo federal com esse fim.
Perly usou dinheiro público para fazer publicar aquele amontoado de bobagens, alvo de críticas no País inteiro. Nada fez de útil. Século Diário propõe que ele, Lula e Thomaz Bastos venham ao Espírito Santo para descerrar e inaugurar uma placa com os dizeres: "Aqui nesta terra quem manda é a Aracruz Celulose. Nós do governo federal apenas obedecemos".
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