Vida de Imigrante - Notícias do outro mundo




Wanda Sily
Escreve direto de Miami - EUA


Mal pomos os pés fora da cama, ou até mesmo antes, e somos agredidos com toda sorte de propaganda, anúncio, reclame, promoções, liquidações, vantagens, descontos, novidades, últimos lançamentos, e por aí vamos, que o mundo foi feito para ser vendido, e os mais espertos sempre sabem como lucrar com isso.

Ligamos a televisão, o rádio ou o computador, atendemos o telefone, abrimos o jornal, a revista, a janela, e uma avalanche de anunciantes nos convence a comprar alguma coisa. Realmente, a propaganda suga nosso dinheiro e nosso sangue. Sem ela, porém, como ter televisão, computador, ou mesmo o singelo jornal matinal?

Com tantas ofertas no mercado não temos condições de decidir, e para isso eles existem, os anunciantes, com o fim específico de nos orientar em como viver melhor e gastar menos, adquirindo seus produtos. A propaganda enganosa se confunde com utilidade pública, onde o lucro se alimenta da nossa preferência.

Enquanto isso, nós, pobres consumidores, também nos enganamos e confundimos, sem saber discernir o joio do trigo, o certo do errado, o melhor artigo do artigo melhor anunciado. A repetição é a alma do negócio, e tanto ouvimos dizer que o Sabão Quequé é bom para o pé, que acreditamos, compramos, consumimos.

E vamos nos adaptando uns aos outros, enganadores e enganados, saciando a ganância deles com nossa vaidade, ou nossa preguiça em pesquisar e analisar melhor o que consumimos. Quanto mais bonita a propaganda, melhor o artigo. Se tem gente famosa jurando que usa, queremos usar também.

E quando pensamos que sabemos tudo sobre esse jogo de oferta e procura, ele tem sempre novidades que nos surpreendem. O telemarket, por exemplo, evoluiu para melhor nos servir. O telefone toca e uma voz com forte sotaque indiano quer me convencer a comprar desde alfinetes a carros.

Isso não quer dizer que as firmas americanas só contratam indianos, mas que a sede do telemarket fica na Índia, de onde milhares de vozes cruzam oceanos e continentes me informando que a loja da minha esquina está com uma promoção imperdível. Fica mais barato pagar o salário do indiano e a conta telefônica internacional do que o gordo salário americano.