Ao contrário do que divulgara em nota oficial, a Polícia Federal deu autêntico espetáculo de truculência e violência em sua ação contra os índios de Aracruz, norte do Estado, na manhã e na tarde desta sexta-feira (20) Além de disparar balas de borracha, ferindo mais de dez índios, os agentes federais agrediram, algemaram e mantiveram presos vários deles. Paulo foi um deles. Sofreu chutes e socos e foi mantido imobilizado durante várias horas.
Alguns dos índios feridos foram identificados: Vilmar de Oliveira, presidente da Associação Tupinikin-Guarani: Vilson de Oliveira, o cacique Jaguareté; Valdecir, cacique da aldeia Irajá; Maurício, com três tiros de borracha nas pernas.
A esposa de Jaguareté, grávida de sete meses, teve uma arma de fogo apontada para sua cabeça e, temendo ser ferida ou espancada, implorou ao policial que não a maltratasse, apontando para o filho que gestava. Quem também sofreu violência foi a funcionária da Funai de nome Fátima, conhecida como Fatinha. Ela foi detida pelos policiais por ter se negado a acompanhá-los na repressão aos índios. Ficou presa numa das propriedades da Aracruz Celulose e só foi liberada porque começou a passar mal.
A violência policial só foi aliviada depois da chegada ao local da deputada federal Iriny Lopes (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara dos Deputados. A parlamentar fez vários contatos, inclusive com a Superintendência da Polícia Federal no Espírito Santo. Do superintendente ela ouviu a declaração de que os agentes federais aqui lotados se recusaram a participar da operação.
Iriny também falou com o procurador federal André Pimentel, que disse estar tentando, por meio judicial, tirar os mais de cem policiais federais que estão em Aracruz.
Também estiveram no local os deputados estaduais Carlos Casteglione (PT) e Brice Bragato (PSOL). Eles se mostraram indignados com a aviolência praticada contra os índios.
Derrubada a liminar da Aracruz
No início da noite desta Sexta, o desembargador Paulo Freitas Barata, do Tribunal Regional Federal, no Rio de Janeiro, suspendeu a liminar obtida pela Aracruz que deu origem à violência contra os índios. Mas a Polícia Federal não abandonou o local, como deveria, e continuou ameaçando os índios com suas armas, inclusive fazendo vôos rasantes de helicóptero com armas apontadas para os índios.
Por volta das 20h30 desta sexta-feira, os índios chegaram à portaria da fábrica da Aracruz Celulose. Eles vão permanecer no local e definir uma estratégia de atuação.
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