Vitória (ES), edição de 24 de janeiro de 2006    
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Israelenses e palestinos na visão de Spielberg



Felicia Borges



  
Foto: Divulgação
  
Foto do momento em que os terroristas invadem o alojamento da delegação israelense

Era madrugada do dia 5 de setembro de 1972. Oito homens vestidos de agasalhos de ginástica pularam uma grade na Vila Olímpica de Munique, invadiram o alojamento da delegação israelense e fizeram a maior parte dos atletas reféns. A ação dos terroristas palestinos que chocou o mundo chega agora às telas de cinema com "Munique".

O filme, dirigido por Steven Spielberg, trata das conseqüências do atentado, mais especificamente da caça do Mossad, o serviço secreto de Israel, aos envolvidos nele direta ou indiretamente.

Na operação, onze atletas da delegação de Israel foram capturados e mortos, numa ação de uma organização terrorista denominada Setembro Negro, um braço da organização Fatah, liderada por Yasser Arafat. Durante as negociações com a polícia federal alemã ocidental, os militantes exigiram a libertação de 234 presos palestinos nas prisões de Israel e um Boeing 727 para escapar.

Ao perceberem que seriam encurralados no momento em que se dirigiam em dois helicópteros ao aeroporto de Munique, os terroristas detonaram uma granada na aeronave que levava os reféns. Morreram todos os israelenses e cinco terroristas. As cenas de sangue foram transmitidas via satélite por várias redes de televisão. A questão palestina que estava praticamente soterrada desde 1967 voltou a ser destaque.

  
Foto: Divulgação
  
Cena do filme de Spielberg
O atentado cumpriu a sua meta para a organização terrorista, fato que provocou indignação em Israel, principalmente porque o Comitê Olímpico Internacional não fez, segundo a primeira-ministra israelense Golda Meir, uma manifestação suficientemente forte para rechaçar a barbárie.

A revanche foi perseguir os envolvidos, o que teria não só o efeito de vingança, mas, na visão de Golda, serviria para evitar futuras ações semelhantes. "Munique" tem seu início justamente quando o esquadrão Cesarea ou Fúria de Deus, como ficou conhecido em Israel, parte para a vingança. São cinco agentes da polícia secreta israelense, o Mossad, liderados por Avner Kauffman (Eric Bana, "Tróia", "Hulk").

Eles caçam os militantes onde estiverem e matam em nome de uma missão patriótica e divina. Kauffman completou a missão que lhe havia sido dada pela primeira-ministra Golda Meir: eliminar, um a um, cada terrorista palestino sobrevivente do atentado.

Polêmica

Spielberg tenta conter o tom espetacular, comum em sua obra, pois "Munique" não é somente um filme de aventura e perseguições. As reações intempestivas são geradas pela representação de um evento real. Antes mesmo da estréia, o filme já vinha causando polêmica por tocar na questão entre israelenses e palestinos.

Uma das fontes de consulta de Spielberg para a realização do filme foi o livro "A Hora da Vingança", do canadense George Jonas, baseado no relato do agente Avner Kauffman, um dono de empresa de segurança em Nova York que diz ter sido agente do Mossad, e protagonista em "Munique". Alguns historiadores, no entanto, desconfiam da versão de Kauffman.

"Munique" (Munich, EUA, 2005) concorreu ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Direção e Melhor Roteiro e a expectativa é a indicação ao Oscar. O filme entra em cartaz no Estado nesta sexta-feira (27).

Saiba mais!

Clique aqui para visitar o site oficial de Munique

Clique aqui para ver o trailer do filme


 

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