Entidade tradicional e historicamente ligada à defesa dos direitos humanos, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por sua seção capixaba, ainda não se pronunciou sobre o violento ataque da Polícia Federal (PF) aos índios de Aracruz, na última sexta-feira (20).
Trata-se de lamentável ausência. É sabido e notório que qualquer movimento de caráter democrático aumenta suas chances de vitória se contar com o apoio da veneranda entidade. Assim foi com o movimento Fora Collor, recentemente, e com a campanha pelas Diretas Já, ainda sob a ditadura militar.
Todas as entidades de defesa dos direitos humanos capixabas já se manifestaram em repúdio àquele ato injustificado de violência. O próprio Judiciário, de onde emanou a autorização para o ataque -através de uma liminar expedida por um juiz federal que autorizou o uso da força e a participação da Aracruz Celulose na destruição das aldeias indígenas - já corrigiu o equívoco, cassando aquela liminar em atendimento a um requerimento do procurador federal André Pimentel.
A imprensa nacional noticiou o fato e, em vários países, houve condenação ao ataque, que deixou treze índios feridos por balas de borracha e espancamentos.
A condenação dos militantes dos direitos humanos não poupou a Aracruz de suas críticas, ao criticar o uso de tratores e funcionários da empresa na destruição das aldeias.
Não há, portanto, qualquer justificativa para o silêncio da OAB capixaba. Ela deveria ter sido a primeira a se manifestar, pois o ato praticado pela Polícia Federal feriu gravemente princípios democráticos pelos quais ela luta com denodo em nível nacional.
Advogados estão orientando os índios em ações de ressarcimento dos prejuízos que sofreram e de defesa de sua incolumidade física. Reportagem de Século Diário feita no teatro de operações mostrou atos de selvageria praticados pelos agentes federais apoiados pela Aracruz Celulose, inclusive contra idosos e mulheres (uma delas grávida de sete meses).
E, ao contrário do que diz a Polícia Federal, não houve qualquer ato de hostilidade aos agentes por parte dos índios. Eles foram reprimidos com violência sem terem feito qualquer ameaça. Não eram em número de 200 os índios que a Polícia Federal atacou com bombas de efeito moral e balas de borracha. No máximo, uns 50, segundo as lideranças indígenas, e todos eles queriam apenas dialogar com as autoridades.
Diante de tudo isso, torna-se estranho o silêncio da OAB capixaba, que não pode alegar desconhecimento dos fatos. O presidente da entidade, Agesandro da Costa Pereira, precisa vir a público para se explicar, para que não fique a impressão de que também ele aceita a presença da Aracruz Celulose no Estado não como uma simples empresa que daqui tira seus lucros fabulosos, agride o meio ambiente e agrava os problemas sociais, mas como um Estado dentro do Estado.
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