Estamos de passagem no planeta Terra, e erramos quando o consideramos nossa casa. A Terra é um hotel em que nos hospedamos, e temos que deixar o quarto limpo e arrumado para os próximos hóspedes. Infelizmente, não temos cuidado muito bem dessa estação transitória, uma parada entre um antes e um depois desconhecidos.
Pagamos caro por esse desleixo, e deixamos o hotel cada vez em piores condições para os hóspedes futuros. E se não temos muito a agradecer aos nossos antepassados pelo desleixo, nossos descendentes terão menos ainda. O homem é um consumidor voraz que ignora as lições do passado e não se precavê para evitá-las no futuro.
E qual o custo dessa breve estadia? O www.ecofoot.org nos dá uma resposta nada animadora. Cada pessoa teria direito a uma quota de 4.5 acres biologicamente produtivos no planeta. No entanto, nos Estados Unidos, onde tudo é um exagero, a média de ocupação é de 24 acres por pessoa.
Minha humilde pessoa, que se julgava ecologicamente correta, ocupa 15 acres. Isso significa que, se todos vivessem como eu, seriam necessários 3.3 planetas para me sustentar. Tem muita gente no terceiro mundo vivendo num espaço exíguo, sem poder usufruir dos recursos biológicos necessários para uma vida saudável e feliz, porque consomem mais do que precisam.
Para a média dos americanos, seriam necessários mais de cinco planetas, se o mundo todo vivesse como eles. Isso lembra a antiga piada do homem que, ouvindo dizer que existem três mulheres para cada homem no mundo, diz que tem alguém com seis, porque ele não tem nenhuma.
Os cientistas calculam que somamos hoje 10 bilhões de espécies disputanto ferozmente os recursos naturais do planeta, renováveis ou não. O footprint ecológico é um modo de medir como usamos esses recursos. O teste se baseia na média de consumo individual, comparando o modo que vivemos em relação aos outros.
E não temos que nos orgulhar dos resultados, pois gastamos indiscriminadamente, sem muita preocupação em deixar um pouco para os outros, ou para os nossos descendentes. Exaurimos os recursos e desperdiçamos os bens à nossa disposição, sem saber se essa é nossa última parada, ou se a viagem continua.
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