Vitória (ES), edição de 25 de janeiro de 2006

Obra da Igreja Universal leva medo
a famílias sob risco de desabamentos



Anderson Cacilhas
Foto capa: Ricardo Medeiros

Foto: Ricardo Medeiros
Maria Celia Carneiro está com medo dos tremores que atingem a sua casa. Ela terá que se mudar.

Três casas no bairro Santa Luiza, em Vitória, correm risco iminente de sofrer desabamentos e serão interditadas. O problema ocorre em decorrência das obras para construção do novo templo da Igreja Universal do Reino de Deus na Reta da Penha. Os bate-estacas da empresa mineira Precon Pré-Moldados, responsável pela obra, já causaram danos a 14 casas no bairro.

A reportagem de Século Diário conversou na manhã desta quarta-feira (25) com a moradora de uma das casas que serão interditadas, a aposentada Maria Celia Carneiro. Ela terá que sair, pois a casa oferece risco à integridade física de sua família.

A aposentada tem 75 anos e está com medo do que pode acontecer. Ela disse que as grades tremem quando o estaqueamento começa a funcionar. Além do medo, há ainda o barulho provocado pela obra que acontece ao lado da casa que ela terá de abandonar. "Quando eles começam a bater e estou no banheiro, fico apavorada. Parece que o teto vai desabar", alertou a aposentada. Ela ressaltou que sua mudança do local será um grande transtorno, já que cuida da irmã, que é tetraplégica.

Quem também está preocupado é José Leandro de Freitas. Ele também é dono de um imóvel atingido pelo estaqueamento e está apreensivo com os danos. O seu imóvel não corre risco de desabamento, mas as rachaduras se espalharam nas paredes recém-reformadas e na área externa da sua residência.

Foto: Ricardo Medeiros
As rachaduras se espalham pelas paredes de 14 casas na rua Edmundo de Oliveira, em Santa Luiza.
Todos os imóveis atingidas ficam na rua Edmundo de Oliveira. As casas passaram por uma perícia técnica que apontou as três residências que devem ser desocupadas. Segundo o engenheiro perito Fernando Fregonassi, que participou da inspeção, as três casas têm um risco maior de queda de pedaços de assoalhos e rebocos, mas nenhuma tem risco de cair. Entretanto, a reportagem de Século Diário esteve na rua na manhã desta quarta (25) e recebeu informações de que algumas casas terão que ser escoradas para que não caiam.

Tentativa de solução

A advogada Michele Vescovi, representante da Associação dos Moradores da Praia do Canto (AMPC) no caso, explicou que houve uma reunião na última segunda-feira (23) com moradores, representantes da empresa e peritos. O laudo da perícia técnica foi apresentado e os especialistas explicaram que não há como mudar o esquema de estaqueamento que está sendo utilizado devido ao tipo de solo do local.

Após as apresentações, ficou acordado que a Precon irá arcar com todas as despesas das famílias que forem retiradas, além de reformar completamente as três casas interditadas. Todas as 14 residências afetadas por rachaduras serão monitoradas diariamente e, enquanto as famílias nas casas em risco não forem retiradas, os bate-estacas não atuarão nas duas linhas consideradas críticas para o dano aos imóveis.

Foto: Ricardo Medeiros
Moradores estenderam faixas nas varandas para reclamar pelos danos causados.
As casas que apresentam apenas rachaduras, sem maiores perigos, também serão reformadas pela empresa.

Apesar do acordo celebrado entre os moradores e a empresa, muitos dos prejudicados estão insatisfeitos, pois terão que mudar para bairros mais distantes, como Goiabeiras. Apesar de a empresa ter se comprometido a ressarcir os danos materiais aos moradores, nada impede que os prejudicados entrem com uma ação de indenização por danos morais em decorrência dos transtornos causados pela empresa.