Vitória (ES), edição de 25 de janeiro de 2006

Suspeito de ligação com queima
de ônibus é preso em operação da PM


Paulo Rogério
Foto capa: Ricardo Medeiros



A Polícia Militar prendeu, em flagrante, suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e um homem que teria ligação com a queima de ônibus do Transcol. A operação foi realizada na manhã desta quarta (25). As prisões ocorreram na região da Grande São Pedro (foto), Vitória. A polícia investiga se o suspeito também tem ligação com os ataques contra dois coletivos em dezembro de 2004.

Nesta terça (24), o serviço de inteligência da Polícia Militar, a P2, recebeu denúncia anônima contra o Michael Araújo Pereira, 18 anos. Os agentes foram informados que Araújo estaria armado e com galão de gasolina, rondando o ponto final de ônibus no bairro Santo André, Grande São Pedro. O comando, que deu cumprimento aos mandados de busca e apreensão da PM - expedidos pelo juiz Marcelo Menezes Loureiro, da Vara Central de Inquéritos - recebeu a informação somente nesta quarta-feira (25).

A polícia flagrou no endereço de Michael Araújo dois litros de gasolina, numa garrafa petti, além de um tanque de gasolina para motocicleta tipo CG - com capacidade entre oito e dez litros de combustível. O tanque estava vazio, tem registro de fabricação, mas está sem número de chassi.

Araújo foi encaminhado à Delegacia Anti-Seqüestro (DAS), na Chefatura de Polícia, em Barro Vermelho, Vitória. Ele e a mãe prestaram esclarecimentos ao delegado Celso Felipe Ferrari, responsável pelo inquérito que investiga a queima de três ônibus na Região Metropolitana. A dona de casa foi intimada por ser proprietária do imóvel. De acordo com PM, mãe e filho forneceram informações contraditórias sobre a origem do combustível e seu uso. O delegado Ferrari determinou sigilo no inquérito que investiga os atentados deste mês.

Coincidentemente, a residência do suspeito é localizada na rua Nossa Senhora da Conceição, bem próximo ao ponto final de ônibus no bairro Resistência, Grande São Pedro, onde foram incendiados os dois coletivos há quase 13 meses. Dez ônibus foram incendiados em 2004, e nenhum dos casos foi elucidado pelas autoridades.

A operação desta terça-feira (25) na Grande São Pedro foi iniciada por volta de 5h e contou com soldados do serviço reservado do 1º Batalhão e da 7ª Cia - 11 homens em quatro viaturas. As autuações foram realizadas por volta de 6h, sob o comando do tenente Isaac Rubim.

PM estoura boca de fumo

Esta mesma operação da PM desarticulou um bando suspeito de receptação e venda de entorpecentes na Rua da Fumaça, em Resistência, Grande São Pedro. Oito pessoas foram presas, entre elas um adolescente de apenas 17 anos, o único que já tem passagem pela polícia.

O garoto já fora preso em março de 2005, em São Pedro V, também por tráfico de drogas. Os policias encontraram uma revolver Taurus calibre 38 (munido de cinco balas), sementes de maconha, dezenas de aparelhos eletrônicos sem nota fiscal, R$ 70,00 em espécie e dois celulares.

Todo material apreendido e os detidos foram entregues na Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), onde se encontram à disposição da Justiça.

   
Ataques a ônibus: retrospectiva

Na última sexta-feira (20), a polícia prendeu um homem suspeito de envolvimento com o ataque aos ônibus neste início de ano. A Secretaria de Estado da Segurança e Defesa Social (Sesp) e o comando operacional da Polícia Civil negam a informação. O nome do suspeito, que já estaria encarcerado no Presídio de Segurança Máxima (PSMA), em Viana , é Fernando Paranhos.

Na primeira quinzena deste mês, durante a madrugada de quinta-feira (12) para sexta-feira (13), dois ônibus foram incendiados em Cariacica. O primeiro incêndio criminoso aconteceu no bairro Porto Belo I. O segundo veículo foi incendiado em Flexal, próximo à garagem da Viação Satélite. Quatro dias depois, um microônibus foi incendiado numa estrada que liga Jacaraípe ao bairro Serra Dourada, no município de Serra.

A Sesp e o comando geral da PM organizaram operações de patrulhamento, em áreas periféricas da Região Metropolitana, e investigação coordenada por agentes militares da P2 e investigadores da Polícia Civil.